Caxias do Sul 19/04/2024

“Para empreender não tem idade, mas exige mentalidade e resiliência”

Sócio-fundador da Mercatto Energia revela como criou a empresa durante a faculdade e enfrentou desafios para se consolidar em um setor pouco conhecido
Produzido por Silvana Toazza, 28/02/2024 às 10:18:21
“Para empreender não tem idade, mas exige mentalidade e resiliência”
Maílson Nicaretta é um dos fundadores da Mercatto Energia, com matriz em Farroupilha
Foto: Laoni Nunes, divulgação

POR SILVANA TOAZZA

Enquanto muitos jovens fazem uma faculdade almejando um bom emprego em uma empresa consolidada da Serra Gaúcha, o garibaldense Maílson Nicaretta encarou outro caminho enquanto cursava Engenharia Elétrica na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Ao lado do então colega Cledio Santacattarina, teve um insight: o de empreender em um setor incomum.

A jovialidade dos estudantes, com pouco mais de 20 anos à época, não representou empecilho, tampouco limitação. Foi, sim, um estímulo para aprenderem a se tornar empresários na prática, “algo que não acontece na faculdade, mas no dia a dia”, pontuam.


Empresa vive seu momento de expansão, tendo triplicado a equipe em três anos

Passados 13 anos, os agora sócios da Mercatto Energia, primeira comercializadora independente de energia elétrica focada no Mercado Livre do Rio Grande do Sul, comemoram a consolidação da empresa, nascida em Bento Gonçalves, estabelecida em Caxias do Sul e, há mais de três anos, sediada em Farroupilha (hoje já figura entre as 10 maiores arrecadadoras de impostos do município). E mais: alcançou o status de uma das melhores companhias para se trabalhar no país. Eles não têm dúvida: o percurso exige vontade, dedicação e persistência.

“Empreender não tem idade, precisa só ter mentalidade e resiliência, ao lado de um objetivo e de um sonho. A pessoa que vai iniciar um negócio, se no começo não dá certo, já desiste. Mas não é esse o caminho. Se o primeiro negócio não deu certo, pega, olha os erros, esfria a cabeça, toma um tempo, respira e vai novamente. Não tem idade, mas tem de ter objetivo”, explicita Maílson Nicaretta, hoje com 35 anos, em entrevista exclusiva a este portal de notícias.

Quem o ouve falar assim, tão convicto, nem imagina todo o caminho que precisou ser trilhado para que a Mercatto Energia conquistasse mais de 500 clientes em praticamente todos os Estados do país. Com matriz na Serra Gaúcha, a companhia possui escritório comercial em São Paulo, duplicou de tamanho físico e triplicou o número de funcionários nos últimos três anos. Porém (sempre tem um porém na história de toda a empresa), precisou buscar forças e batalhar firme para se manter nos trilhos do crescimento após, em 2019, ter sido vítima de inadimplência por conta da quebra de empresas do setor.


Maílson Nicaretta concede entrevista exclusiva à jornalista Silvana Toazza

Essa história de resiliência, de derrubar barreiras e de não abandonar o sonho em um mercado até então pouco conhecido – o Mercado Livre de Energia, propiciando que o meio corporativo tenha liberdade de escolha do fornecedor dessa commodity tão vital, com contratos vantajosos e a longo prazo –, pode ser conferida a seguir.

Navegue nessa trajetória inspiradora, em entrevista exclusiva concedida por Maílson Nicaretta ao portal de notícias:

Como surgiu a ideia de empreender e como foi o início da Mercatto Energia?
Maílson Nicaretta:
Ingressei na faculdade de Engenharia Elétrica em 2006 e finalizei o curso em 2012. Nesse meio tempo, conheci o Cledio, um colega de curso. Já próximo à finalização da graduação, decidimos empreender juntos, nos “atirar” no mercado. Decidimos, naquele momento, partir para um negócio voltado à energia elétrica. Iniciamos um projeto para assessorar clientes de forma técnica, envolvendo estudos e adequações, que vinha muito do viés da nossa formação. Esse foi o pontapé inicial.

E quando houve a percepção de ingressar no Mercado Livre de Energia Elétrica?
Maílson Nicaretta:
Com o tempo, fomos percebendo a necessidade da condução do cliente empresarial para buscar novas alternativas no mercado para redução de custos com energia elétrica, além de fontes renováveis (eólica, solar, biomassa e de pequenas centrais hidrelétricas). A consultoria para o Mercado Livre nasceu nesse projeto. Começamos a trabalhar nisso e, de lá para cá, acabou sendo o foco do negócio.

Em que ano nasceu a Mercatto Energia e como foram os primórdios?
Maílson Nicaretta:
Ela nasceu em 2011, em Bento Gonçalves, na época com o nome de Elit Energia. Após dois anos, alteramos a marca, pois percebemos que já havia algo parecido num mercado similar, o que gerava confusão. Até que surgiu Mercatto Energia, unindo o setor com a vocação italiana da região, o que deu muito certo.

Aí veio a expansão?
Maílson Nicaretta:
Em 2013, ampliamos o escritório, onde fazíamos tudo (cobrávamos escanteio, cabeceávamos e fazíamos gol - brinca), e nos mudamos para Caxias do Sul, ampliando a equipe. Nos instalamos em uma peça no Villagio Iguatemi. Em 2016, com o crescimento da empresa, migramos para uma área comercial no mesmo bairro, de 300 metros quadrados.


Nova sede em Farroupilha preza pelo bem-estar e conforto dos funcionários

E como se deu a iniciativa de sair de Caxias do Sul e se instalar em Farroupilha?
Maílson Nicaretta:
Na pandemia (2020), identificamos a necessidade de uma área maior. Pensamos em construir, mas não era o momento ideal. Tudo estava parado. Passamos a procurar e, em Caxias do Sul, não encontramos um prédio corporativo que dispusesse a área de que precisávamos. Até que encontramos este espaço aqui (dois andares em edifício central) em Farroupilha, perto de Caxias e de Bento Gonçalves (onde eu resido), e acabamos nos mudando para cá naquele ano. Desde então, duplicou a empresa e a equipe triplicou, com 56 funcionários atualmente, com presença de clientes em quase todos os estados do país. Em 2023, impulsionada pela abertura de mercado varejista (a lei passou a permitir o acesso ao Mercado Livre para todos os estabelecimentos enquadrados no Grupo A, pois antes só empresas com uma demanda mínima contratada de 500 kW tinham acesso), crescemos 50% no número de clientes. Em Farroupilha, estamos localizados em um ponto estratégico geograficamente.

Como foi a decisão de investir em um escritório comercial em São Paulo?
Maílson Nicaretta:
Tínhamos um escritório em Curitiba e, em 2018, fizemos a mudança da estratégia comercial, saindo do Paraná e abrindo uma unidade em São Paulo. Montamos uma equipe lá, estruturamos, com mesa de operações, time comercial e captações de clientes. Dessa forma, conseguimos expandir nossa presença para o país todo.

Em que momento foi o grande boom da Mercatto?
Maílson Nicaretta:
Até 2014, captávamos clientes, mas começamos a perceber a demanda de consumidores corporativos pela comercialização de energia elétrica. Naquele momento, fazíamos a abertura de potenciais fornecedores do mercado. Era um setor fechado, com pouca informação na época. Havia fornecedores, mas não tanto quanto hoje. Percebemos que tínhamos de evoluir, nos transformando também em fornecedores do produto.

Foi então que a Mercatto transforma-se, de forma pioneira na Serra Gaúcha, em uma comercializadora de energia?
Maílson Nicaretta:
Exatamente. No Rio Grande do Sul, havia apenas duas filiais de conglomerados de São Paulo (uma delas vinculada à CPFL), mas não existia nenhuma empresa natural daqui que estivesse fazendo a comercialização desse produto (energia elétrica). Pensamos: “vamos abraçar essa causa e vamos explorar esse segmento”. A gente estudou como funcionava o mercado, instituímos a comercializadora em 2014 e começamos a trabalhar com esse mercado também. No meio da crise que havia na época no setor, detectamos uma oportunidade (observação da jornalista: hoje, a Mercatto possui uma mesa de operações junto à sua matriz em Farroupilha, em que compra e vende energia elétrica). Dessa forma, fomos a primeira comercializadora de energia independente do Estado.

Quando a empresa mais cresceu?
Maílson Nicaretta:
De 2015 para 2016, foi um boom de mercado, com preços atrativos. Houve crescimento da tarifa de energia elétrica do mercado cativo (convencional, com compra direta da distribuidora) de forma expressiva. Os preços da energia elétrica dispararam e o Mercado Livre tornou-se muito competitivo. Foi quando percebemos a total capacidade para avançar muito mais rápido.

Houve momentos de desafios?
Maílson Nicaretta:
Sim, também enfrentamos momentos difíceis. Em 2019, as comercializadoras de energia elétrica não cumpriram contratos, quebraram e nos prejudicaram financeiramente. Tínhamos uma previsão de receita que não se concretizou porque os contratos não foram cumpridos por esses fornecedores.

O que tiraram de lição desse episódio?
Maílson Nicaretta:
De lá para cá, desenvolvemos um trabalho muito forte, selecionando parceiros de negócios, com geradores consolidados e investindo em geração própria de energia elétrica. Já temos uma usina de energia solar operando em Santa Catarina e neste ano ampliaremos para mais quatro projetos com vistas a expandir a disponibilidade de energia própria também. Esses projetos são voltados ao mercado da geração distribuída, para atender pequenos consumidores, aqueles que não podem acessar o Mercado Livre, mas buscam energia elétrica mais acessível.

Interessante esse investimento próprio em energia solar...
Maílson Nicaretta:
Sim, essas quatro usinas serão implementadas no segundo semestre deste ano no Rio Grande do Sul. Abrimos esse braço porque percebemos muita demanda do setor. É uma oportunidade sem que o cliente precise investir na sua própria usina solar. Ele adquire uma cota da energia gerada com uma tarifa mais em conta.

Desde a faculdade, foi uma longa jornada até chegar aqui?
Maílson Nicaretta:
Tivemos muitos desafios de cunho empresarial. O maior dilema era como poderíamos nos tornar gestores e empresários, o que era algo novo para nós. Não se aprende isso na faculdade. É algo que a pessoa vai lapidando no dia a dia, entendendo bem o movimento do mercado, observando como as empresas maiores se comportam. Sempre prezamos e buscamos trabalhar de forma ética, com as melhores práticas, olhando os nossos limites, mas sempre buscando algo a mais. Nunca deixamos de nos aperfeiçoar. Eu busquei especializações em gestão empresarial e liderança. Não dá para parar no tempo porque, daí, a cabeça para.

Delegar funções é sempre um aprendizado...
Maílson Nicaretta:
Verdade, a equipe cresce e precisamos aprender a delegar funções e responsabilidades para que tudo não acabe recaindo sobre uma única pessoa. É preciso encontrar profissionais no mercado que sejam melhores do que eu, mas preciso ser o espelho para o que a empresa imagina como visão de crescimento. Não se vai crescer a qualquer custo, atropelando o próximo, mas sim avançar de uma forma coerente e ética.

Imaginava que chegariam até aqui?
Maílson Nicaretta:
A partir da visão que eu tinha do tempo da graduação, não imaginava isso. Imaginava, no início, algo como “vou ser um engenheiro e trabalhar dentro de uma grande empresa”. Se eu tivesse a mentalidade que tenho hoje, há 10 anos, eu faria tudo totalmente diferente. Se soubesse o que iria acontecer no passado, depois que aconteceu, ou prever o futuro, seria mais fácil. Não tinha ideia de que seria assim. No meio do caminho, os objetivos vão mudando com o tempo.

A Mercatto enxerga o futuro de forma otimista?
Maílson Nicaretta:
Esperamos crescer mais de uma forma consistente. Não adianta se atirar com tudo e cair. É preciso subir um degrau por vez, fazendo um trabalho bem coeso. Se dedicar para isso, buscar pessoas que possuem o mesmo engajamento, a mesma visão, porque a empresa só cresce se as pessoas que estão nela vestem a camisa. Se aquele mercado não deu certo, vai aparecer outra oportunidade. Precisamos estar preparados para perceber e aproveitar o momento.

Hoje são quase 60 funcionários. Mas iniciaram em dois (você e o sócio).
Maílson Nicaretta:
Duas pessoas. Um cliente por vez. O negócio começou com a gente tirando nota no bloquinho. Pensamos: “como o mercado trabalha, como uma empresa tem de ser”. Então, começamos a montar orçamento, a ver quem atende o telefone, a criar um site, um cartão de visitas. A primeira coisa foi desenvolver o cartão de visitas e montar um e-mail próprio. Hoje, a gente utiliza plataformas do sistema financeiro, plataformas internas para administração de clientes. Robôs que fazem envio de e-mails, coleta de informações, com relatórios automatizados para os clientes, com acesso por aplicativo. Investimos em tecnologia e desenvolvimento porque cultivamos uma visão de que não temos como fugir disso. A Inteligência Artificial está aí.

O que você deixaria de mensagem a jovens que sonham em empreender, mas têm um certo receio do risco?
Maílson Nicaretta:
Empreender não tem idade, mas é preciso mentalidade e resiliência. Assisti a uma palestra de um professor que disse: “essa empresa deu certo, mas eu quebrei sete antes. Por que essa deu certo? Porque a bagagem que eu tive com as outras sete me ajudou a construir essa, que deu muito certo”. A pessoa vai iniciar um negócio, não dá certo e já desiste, não é esse o caminho. É preciso ter resiliência. Se o primeiro deu certo, cresceu, ótimo, porque o fundador se dedicou, estudou, batalhou por isso. Mas se o primeiro negócio não deu certo, pega, olha os erros, o que aconteceu que não deu certo, esfria a cabeça, toma um tempo, respira e vai novamente. Não tem idade, mas tem de ter objetivo.

Mercatto Energia - Consultoria em Energia

A mais antiga comercializadora independente de energia elétrica do Rio Grande do Sul, especializada no Mercado Livre de Energia, com sede em Farroupilha e atuação nacional.

enlightened Localizada em: Centro Comercial Dona Ruth

enlightenedEndereço: Rua Ângelo Antonelo, nº 93 - 10º andar - Centro, Farroupilha - RS

enlightened Telefone: (54) 3412-1120

enlightened Escritório em SP: Avenida Santo Amaro, nº 1047, Sala 1905 (Ed. The Villa Nova Conceição) - Vila Nova Conceição

enlightened E-mail: comercial@mercattoenergia.com.br

enlightenedSite: https://www.mercattoenergia.com.br/

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