Caxias do Sul 29/06/2022

Papai Noel existe. A cenoura é a prova...

Crônica comprova a existência do Bom Velhinho a partir de pista vegetal irrefutável
Produzido por Marcos Fernando Kirst, 25/12/2021 às 09:52:14
Papai Noel existe. A cenoura é a prova...
Foto: DIVULGAÇÃO

POR MARCOS FERNANDO KIRST

Anos atrás publiquei na imprensa caxiense uma crônica natalina em que compartilhava com os leitores a experiência vivenciada com meu afilhado, que então contava quatro anos de idade. A partir de seu relato, descobri provas irrefutáveis de que o Papai Noel existe, sim, e não se discute mais o assunto.

Passados cinco anos, meu afilhado hoje com 9, as provas continuam válidas e o Bom Velhinho segue se fazendo presente em nossos cotidianos natalinos.

Confira a seguir, dando asas à nostalgia não só daquela crônica, como também dos tempos em que éramos todos crianças...

A CENOURA É A PROVA

POR MARCOS FERNANDO KIRST

A prova irrefutável de que o Papai Noel realmente visitou na madrugada do Natal a casa de meu afilhado de quatro anos de idade é uma cenoura que foi mordida por uma das renas que puxam o trenó do Bom Velhinho.

Não há o que discutir quando as evidências falam por si e o peso das provas equaciona um mistério. O trenó do Papai Noel é puxado por renas. Seis renas, conforme me explica o afilhado, enquanto me ajuda a destruir a embalagem que nos impede de acessarmos com rapidez o conjunto de ferramentas de plástico a ele destinado também pelo Papai Noel, mas que foi deixado na casa dos dindos para a devida entrega.

São seis renas, portanto, aprendo. E elas devoram cenouras. Certo. Escuto com atenção. O Papai Noel não desceu pela chaminé porque não há lareira no apartamento, mas parece que conseguiu entrar pela janela do banheiro, enquanto todos dormiam - o que é uma lástima, já que ele desejaria muito ter visto o Papai Noel chegar e entregar os presentes.

Mas a turma toda caiu no sono e foi bem nessa hora que o velhinho resolveu aparecer. Bom, tudo bem, ao menos, as cenouras para as renas haviam sido diligentemente posicionadas sobre o balcão da sala, bem à vista do Papai Noel, que tratou de entregá-las às renas enquanto ele deixava os presentes. As renas ficam com muita fome enquanto levam o Papai Noel de casa em casa, e é importante deixar cenouras para elas se alimentarem.

Uma das cenouras, que não foi totalmente devorada, mas que mantém as marcas das dentadas desferidas por uma das renas, foi guardada como relíquia pelo afilhado, sob sua cama. Se eu queria ver? Mas claro que eu queria! Poc poc poc poc... Saiu correndo em desabalada carreira até o quarto, para voltar empunhando uma longa cenoura coberta de dentadas.

Dentadas de rena natalina, evidentemente, como eu logo averiguava com meus próprios olhos e minha longa experiência em pistas deixadas pela ação do Papai Noel. Sim, sim, eram dentadas de rena, não havia dúvidas. Renas do Papai Noel são as que deixam marcas enormes na cenoura, como essas. De fato, Papai Noel esteve ali de madrugada.

Pena que ele não viu, porque pegou no sono. Bem, fazer o que... Nem tudo é perfeito nessa vida. Voltamos a desembrulhar as ferramentas de plástico, em silêncio, a cenoura escorada na parede da sala.

“Ano que vem, vou ficar acordado, para ver o Papai Noel entregar os presentes e as renas comendo as cenouras”, disse, manuseando o alicate de plástico. Senti firmeza no propósito. Se eu fico junto? Fico, claro que fico. Também quero ver. Ano que vem, não posso esquecer das cenouras.