Caxias do Sul 30/10/2020

Nobel de Literatura vai para poeta norte-americana

O nome de Louise Glück, 77 anos, foi anunciado na manhã desta quinta-feira pela Academia Sueca
Produzido por redação, 08/10/2020 às 09:06:57
Nobel de Literatura vai para poeta norte-americana
Foto: DIVULGAÇÃO

Mulher, 77 anos de idade, poeta e norte-americana. Este é o perfil da ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 2020, anúncio feito pela Academia Sueca na manhã desta quinta-feira, 8 de outubro. Louise Glück nasceu em Nova York em 23 de abril de 1943 e consagrou-se nas últimas décadas como uma das vozes mais importantes da poesia contemporânea norte-americana, tendo inclusive conquistado o famoso Prêmio Pulitzer em 1993 com uma de suas obras, “The wild iris”.

A temática de sua poesia costuma ser autobiográfica, tendo como temas principais a solidão, a morte, separações, isolamento e relações familiares. Dedicada ao gênero, chegou a ministrar cadeiras de poesia em diversas instituições de ensino superior nos Estados Unidos.

Hoje, Glück reside no estado de Massachusetts, na cidade de Cambridge, e trabalha como professora adjunta e escritora residente na Universidade Yale, em Connecticut. Divorciou-se duas vezes e tem um filho, o sommelier Noah Dranow. Ela é autora de diversos livros como “Firstborn”, (1968), “The house on marshland” (1975), “The garden” (1976), “Descending figure” (1980), “The triumph of Achilles” (1985), “Ararat” (1990) e “Faithful and virtuous night” (2014). Sua obra ainda é pouco conhecida no Brasil.

Louise Glück é a décima-sexta mulher a ganhar o Nobel de Literatura desde a criação do prêmio, em 1901, quando já foram laureados um total de 117 autores (até hoje, nenhum brasileiro e somente um em língua portuguesa, José Saramago, em 1998).

Confira os nomes de todas as nobeladas:

1909 – Selma Lagerlöf

1926 – Grazia Deledda

1928 – Sigrid Undset

1938 – Pearl S. Buck

1945 – Gabriela Mistral

1966 – Nelly Sachs

1991 – Nadine Gordimer

1993 – Toni Morrison

1996 – Wislawa Szymborska

2004 – Elfriede Jelinek

2007 – Doris Lessing

2009 – Herta Müller

2013 – Alice Munro

2015 – Svetlana Alexievich

2018 – Olga Tokarczuk

2020 - Louise Glück

O tradutor Pedro Gonzaga, professor, escritor e doutor em Letras pela Ufrgs, que assina coluna sobre literatura na revista de cultura “Estado da Arte”, do jornal “Estadão”, publicou em 2017 traduções de dois poemas da escritora. Confira:

GRATIDÃO

Não pense que não sou grata por tuas pequenas

gentilezas.

Gosto de pequenas gentilezas.

De fato as prefiro à gentileza mais

substancial, que está sempre a te cravar os olhos,

feito um grande animal sobre o tapete

até que tua vida inteira se reduza

a nada além de levantar manhã após manhã

embotada, e o sol luminoso rebrilhando em seus caninos.

ÍTACA

O ser amado não

precisa viver. O ser amado

vive na cabeça. O tear

é para os pretendentes, suspenso

como uma harpa de brancos filamentos.

Ele era duas pessoas.

Era corpo e voz, o fácil

magnetismo de um homem vivo, e então

o sonho revelado ou a imagem

formada pela mulher manejando o tear,

ali sentada num salão cheio

de homens de mentes literais.

Se te causa pena

o mar enganado que tentou

levá-lo para sempre

e devolveu apenas o primeiro,

o verdadeiro marido, deverias

sentir pena desses homens: eles não sabem

para o que estão olhando;

eles não sabem que quando alguém ama dessa maneira

o manto se torna um vestido de casamento.