Caxias do Sul 23/10/2021

Filme resgata as quatro décadas do Miseri Coloni nos palcos

Documentário sobre o grupo teatral caxiense que produz peças em Talian estreia nesta sexta-feira, dia 24, na TV Câmara
Produzido por redação, 23/09/2021 às 19:37:47
Filme resgata as quatro décadas do Miseri Coloni nos palcos
Atores do Miseri Coloni em cena, contando a história da imigração com arte, humor e Talian
Foto: Acervo Miseri Coloni

A trajetória do Miseri Coloni – cujo significado, mais do que simples tradução, remete aos “pobres colonos” – é contada no documentário “Miseri Coloni – 40 anos de Talian no palco”. O filme tem 53 minutos de duração, com direção de André Costantin, realização da Associação Cultural Miseri Coloni, em parceria com a produtora Transe Lab.

Há 40 anos, era impensável que uma língua de origem camponesa, reprimida por muito tempo nos âmbitos oficiais da sociedade e por vezes praticada até com alguma vergonha pelos seus falantes, pudesse tornar-se matéria-prima de uma experiência artística potente, duradoura e pioneira na cultura brasileira.

Mas esta é a história que foi escrita – e sobretudo recitada e cantada – pelo grupo teatral Miseri Coloni, no amplo território simbólico do Talian – a língua comum da imigração italiana no sul do Brasil. Nessas quatro décadas de vibração cênica, o Miseri Coloni montou 9 espetáculos, chegou às marcas de 495 apresentações e 161.100 espectadores.

Cena da peça "De Là Del Mar" (Foto: Acervo Miseri Coloni)

Falado em Português e Talian, o documentário terá estreia ao público local nesta sexta-feira, dia 24 de setembro, pela TV Câmara de Caxias, às 19h, com reprise no dia 26, às 13h (Canal 16 da NET). Para outubro, serão programadas sessões públicas presenciais. O filme integra a safra de realizações do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas, da Sedac (Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul) e Fundação Marcopolo.

Ancorado em um conjunto de inéditos registros da memória do grupo Miseri Coloni, o filme entrelaça as histórias das atrizes e atores no universo simbólico e de resistência da língua Talian. Múltiplas vozes formam uma teia narrativa espontânea, emocional e, claro, entrecortada por performances e improvisações dos protagonistas.

A cada depoimento e memória, entendemos por que o Miseri nasce na órbita de Caxias do Sul, no início dos anos 1980, mas logo torna-se um patrimônio regional e brasileiro. Histórias e ícones da cultura popular, antes guardados apenas na oralidade, renasceram com o Miseri Coloni. O caso mais emblemático foi o resgate da figura de Nanetto Pipetta, em dez anos de sucesso absoluto e muito riso entre plateias do Brasil – e também em turnê pela Itália.

Ainda antes do filme O Quatrilho, de 1996, levar ao Brasil e à premiação do Oscar uma certa atmosfera cultural da imigração italiana no sul do Brasil, o Miseri Coloni já adaptava e encenava com maestria o romance homônimo de José Clemente Pozenato.

E foi assim que o Miseri dialogou nesse tempo com amplos espectros da cultura, seja dando vida a remotas arqueologias populares ou em enredos oriundos de criações artísticas e pesquisas de mitologias, do cancioneiro, de literaturas clássicas e periféricas – mas sem jamais esquecer da vida e da linguagem dos pobres colonos, essência fundadora do Miseri Coloni.

O documentário também pode ser assistido pelo Youtube, no link AQUI

Trajetória do grupo narrada em livro

A preocupação com o resgate da memória e sua perenidade na História é uma constante entre os membros do Miseri Coloni. Tanto é assim que, em 2011, quando das comemorações relativas aos 30 anos do grupo, foi publicado um livro, por meio do Financiarte, resgatando os primórdios e a trajetória da trupe até aquele momento.

Obra de arte, com capa dura e 248 páginas, todo colorido e repleto de fotografias, o livro narra as origens do grupo, resgata depoimentos das pessoas envolvidas em sua trajetória e detalha o trabalho que resultou em cada uma das sete peças que haviam sido levadas aos palcos até aquela data.

Editado pela Editora Maneco, o livro “Miseri Coloni: 30 Anos de Palco” foi escrito pelo jornalista Marcos Fernando Kirst, com apresentação do diretor Camilo De Lélis, prefácio de José Clemente Pozenato e ilustrações do aquarelista Antonio Giacomin.