Caxias do Sul 20/04/2021

Com a ARTE e a CULTURA fluindo nas veias

Produtor cultural CLAUDIO TROIAN já virou grife de qualidade e de proatividade no cenário artístico da Serra Gaúcha
Produzido por Marcos Fernando Kirst e Silvana Toazza, 31/03/2021 às 18:03:27
Com a ARTE e a CULTURA fluindo nas veias
Foto: Fábio Balen

Por MARCOS FERNANDO KIRST E SILVANA TOAZZA

Sua figura tem sido presença constante (e quase obrigatória) no cenário cultural de Caxias do Sul e da região nos últimos anos (presencialmente, quando sem pandemia, virtualmente na pandemia, e sempre proativamente em todas as situações).

Isso se dá por dois motivos básicos: porque Claudio Troian aprecia sorver as manifestações culturais de todas as ordens e espécies e também porque Claudio Troian é um dos principais protagonistas das realizações culturais da Serra Gaúcha, fazendo a roda se mover, auxiliando no fazer as coisas acontecerem.

Atua como produtor cultural, costurando os elos da cadeia em favor da concretização de projetos, em especial nas áreas musical, audiovisual e literária. Nessa última, sustenta no currículo a participação, durante anos, no grupo que organiza os encontros do Órbita Literária, já uma marca cultural consolidada na cidade.

Seu nome já virou selo de qualidade e de seriedade no cenário da cultura regional, peça fundamental na engrenagem que agrega artistas e agentes culturais de todas as tintas.

Nesse PAPO CULT, conheça um pouco sobre a trajetória e as idiossincrasias desse verdadeiro fauno das artes serranas:

Fale um pouco de seu histórico profissional?

Ups… (veja claudiotroianwikipedia). Nascido e criado em família materna de artistas (músicos), muito cedo despertei para a arte, vindo a ser músico profissional (contrabaixista) dos 16 aos 25 anos. Paralelamente às atividades artísticas (ator, produtor, diretor e roteirista de teatro / músico free lance em bandas diversas, ator de cinema), trabalhei no jornalismo (12 anos) e na publicidade e propaganda (20 anos). Atuei como produtor para artistas independentes diversos, realizei espetáculos e projetos culturais variados por mais de quatro décadas. A partir de 2012, dediquei-me exclusivamente à elaboração e administração de projetos com incentivo público cultural (mais de uma centena de projetos já realizados).

Como a arte e a função de produtor cultural entraram em sua vida?

Questão sensível, representada até mesmo no meu mapa astral: como minha carreira de músico profissional não alcançou fama e fortuna, passei a despender esforços na contribuição de energias e conhecimentos para que outros artistas lograssem melhor êxito. Desenvolvi planejamento estratégico e produzi, para terceiros, peças de teatro, documentários, filmes ficcionais, espetáculos artísticos, discos e videoclipes musicais, livros, festivais, eventos comunitários etc e tal… Como resultado desta inclinação, sinto-me sereno e gratificado pelas tantas oportunidades de ser útil na condição de operário em favor da arte e da cultura em geral.

De que forma a pandemia impactou o setor da cultura?

Ao meu entendimento, teve impacto devastador nas artes e movimentos e eventos culturais que necessariamente demandam a presença de público, senão vejamos: peças teatrais, shows musicais, espetáculos de dança, exposições de artes plásticas e visuais em geral, eventos comunitários etc. Estes artistas e suas organizações padeceram sérios prejuízos frente às suas rotinas anteriores ao período da pandemia. Como salvaguarda, diversos editais de auxílio emergencial vieram para amenizar a penúria dos que ficaram sem proventos para seus compromissos e manutenção familiar e existencial.

Quais as áreas que mais terão dificuldade de retomada neste seu nicho?

Certamente, as já mencionadas na resposta anterior, posto que reinstalar a normalidade à cultura da frequência e prestígio aos artistas e espetáculos demandará reeducação inda por algum tempo após a derrocada da pandemia.

Como a classe artística tem se reinventado para sobreviver ao período?

É perceptível o fato de que muitos artistas estão tipo “reinventando-se”, desenvolvendo outras fórmulas, formas e modos de gerenciar seus talentos. Ao que nos consta, o mundo da civilização contemporânea enfrenta percalços antes inimagináveis, indicando novos tempos e, consequentemente, novos modus operandi. O artista plástico (pintor, escultor) que vivia da comercialização das obras físicas (telas, quadros e esculturas, por exemplo), hoje vende direitos de impressão ou uso de suas artes utilizando os meios virtuais como plataforma de exposição; o músico/grupo que produzia discos, hoje vende clipes elaborados; o literato que vivia de rendas obtidas com a venda de exemplares, explora os e-books; o “teatreiro” empresta seu talento aos podcasts… e por aí vai...

De que forma os projetos com recursos públicos podem alavancar o setor?

O primata percebeu a máxima cooperativa de “o graveto é fraco, o feixe é forte”, organizando-se em comunidades. As sociedades rudimentares instituem organizações para manter-se a salvo das intempéries do inusitado na natureza – bingo! Está formado o “corpo de governo”, cuja missão precípua é o de manter o cidadão resguardado de percalços e efemérides… seguindo esta linha, vimos a proliferação de editais diversos contemplando justamente os mais fragilizados com recursos provenientes do caixa-comum, as burras do tesouro público. Esta foi situação emergencial de provimento às carências mais latentes. O futuro breve, desconsiderando a postura filosófica do governo atual fugaz e predatória, será o de criar mecanismos de preservação, manutenção de suas formas de manifestação e acompanhamento do desenvolvimento da mentalidade e dos recursos técnicos de cada sociedade.

Como enxergas o mercado cultural de Caxias do Sul e da Serra?

Profícuo. O terreno é amplo. As sementes são de boa qualidade. Faz-se necessário dar prosseguimento ao preparo do terreno (ainda árido) e fecundá-lo, não esmorecendo no acompanhamento da melhor frutificação do que de melhor os povos guardam: sua memória crítica frente ao passado, presente e futuro. Este último, estimo, promissor!

Quais os principais entraves ainda?

Entender, do ponto de vista filosófico, tecnológico e da lógica de rebanho, a importância do resguardo e eternização dos valores humanísticos que norteiam a permanência dos povos sobre a superfície planetária.

E as principais conquistas?

Respondo com outra pergunta: curar o roxo sob a pele pode ser considerado uma “conquista”?

Um sonho?

Que o ser humano entenda, de uma vez por todas, de que é simples jardineiro, e não proprietário do planeta. Então, uma vez isso compreendido, estaremos já imbuídos do espírito da Era de Aquarius.

Um arrependimento?

Estar desatento aos correios que traziam o convite para participar do Woodstock… + D 250 mil almas em harmonia absoluta. Imperdoável!!!

2021, o ano do (da)...

...espera, angústia, incerteza, quase-desesperança. Descrença, reflexão, empoderamento, resolução. Teste...