Caxias do Sul 18/02/2026

Serra Gaúcha revela procura atípica por CEOs

Movimento no mercado corporativo aponta tendência que definirá o cenário em 2026
Produzido por Felipe Ribeiro, 18/02/2026 às 09:29:42
Felipe Ribeiro é sócio e cofundador da Evermonte Executive & Board Search
Foto: Evermonte Executive & Board Search/Divulgação

O mercado executivo da Serra Gaúcha começou 2026 com uma movimentação fora do padrão habitual. Ainda nos primeiros dias do ano, empresas da região – especialmente do setor de bens de capital – intensificaram a busca por novos líderes para ocupar cargos estratégicos, em especial a cadeira de CEO.

Essa procura chamou a atenção não apenas pelo volume, mas pelo timing. Historicamente, os processos seletivos para cargos executivos costumam ganhar força a partir de fevereiro ou março. O fato de tantas empresas anteciparem essa movimentação indica que há algo mais profundo em curso.

Acreditamos que esse movimento esteja relacionado a uma confluência de fatores: processos de sucessão que ficaram represados, reestruturações organizacionais em resposta ao novo cenário macroeconômico e o início de um novo ciclo estratégico nas indústrias locais. Em síntese, vivemos um momento de reposicionamento das lideranças, com as empresas se reorganizando para enfrentar os desafios de um ambiente sob uma abrupta transformação.

O que se desenha para 2026 é um cenário de maior dinamismo na composição das altas lideranças. E, além do aumento na procura, há uma mudança clara no perfil dos profissionais que estão sendo considerados para essas posições.

Hoje, o ponto decisivo deixou de ser apenas “entregar resultado” e passou a ser como esse resultado é produzido e sustentado. Habilidades interpessoais entram aqui de forma muito objetiva: capacidade de alinhar expectativas entre Conselho e diretoria; conduzir conversas difíceis (troca de liderança, cortes, integrações) sem deteriorar o clima e a performance; e montar um time executivo que funcione como um sistema integrado.

A visão de longo prazo, por sua vez, aparece em decisões concretas: o que a organização protege em caixa, onde escolhe investir, quais riscos aceita, quais compromissos não negocia e como evita o clássico ganho de curto prazo que cobra a conta dois ciclos depois.

Nesse contexto, a movimentação que vimos na Serra funciona como termômetro porque expõe um tipo de desafio muito característico de organizações em fase de consolidação e crescimento: estruturas mais complexas, pressão por produtividade e previsibilidade, transições de governança e, muitas vezes, necessidade de profissionalização da liderança em ambientes com alta densidade industrial e cadeias integradas.

Quando a cadeira de CEO muda nesse cenário, é um sinal de que a organização está recalibrando o seu modelo de decisão e execução: quem define prioridades, como os conflitos entre áreas são resolvidos, que ritmo de gestão vira rotina e como a cultura e a estratégia do negócio efetivamente são postas em prática.

No fim, o CEO de 2026 não tende a ser um super-herói. Ele é, na verdade, a resposta institucional a um novo patamar de exigência – a peça que fecha o triângulo que a movimentação na Serra deixou muito claro: sucessão encaminhada, reestruturação bem conduzida e um novo ciclo estratégico pronto para ser iniciado.

Felipe Ribeiro é sócio e cofundador da Evermonte Executive & Board Search.