Caxias do Sul 19/09/2020

Aumentam casos de suicídio durante a pandemia

A cada pessoa que tira a vida, nosso choque, pavor e inconformidade com a situação
Produzido por Ana Paula Lundgren, 09/09/2020 às 18:38:06
Foto: Diego Ferreira

Este ano o Setembro Amarelo tem uma função ainda mais importante em nossa sociedade. Instituída em 2015 como prevenção ao suicídio, a campanha em 2020 ganha força devido ao crescimento de casos por conta da pandemia mundial da Covid-19.

Infelizmente, vários estudos pelo mundo apontam o aumento de ocorrências e de tentativas desde que o coronavírus foi descoberto. Casos de depressão, alcoolismo e uso excessivo de drogas também estão crescendo.

Ainda, dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Durante o mês da campanha, costuma-se iluminar locais públicos com a cor amarela. A ideia é que profissionais e a mídia abordem o tema e se discuta o assunto em grande escala. O suicídio é um problema de saúde pública.

Falar sobre suicídio é pensar sobre o sofrimento psíquico que, na maioria das vezes, é silencioso. Os motivos para cometer tal ato? Os mais variados possíveis: desde a não aceitação do corpo, o emprego ruim, o bullying na escola ou até a negligência de pais bem-sucedidos, mas sem tempo.

Nos EUA, circulou uma campanha um tempo atrás sobre suicídio e como preveni-lo, que mostrava pessoas felizes exercendo as mais diversas atividades como festas, esportes, na igreja ou em atividades laborais uma semana antes de tirarem a própria vida. Achei muito significativo para pensarmos.

Temos uma ideia de que o suicídio só acontece com pessoas que estão muito deprimidas, tristes ou que estão demonstrando sinais de que não querem mais viver. Infelizmente, não é assim. Por isso, a cada pessoa que tira a vida, nosso choque, pavor e inconformidade com a situação.

Do ponto de vista psíquico, é preciso encaminhamento para ajuda especializada, muitas vezes não apenas a psicoterapia mas, também, o suporte medicamentoso feito pelo médico psiquiatra. A abordagem do tratamento é feita de forma multidisciplinar, conjugando esforços para que o paciente em questão possa ser acolhido e compreendido em seu sofrimento, sem julgamentos.

O suicídio é o desfecho de uma vida com um grau de sofrimento psíquico imenso, que desorganiza o mundo interno. É o ato final de muitas pessoas que não conseguiram falar sobre suas angústias e temores, e acabam se expressando quando, através do comportamento, põem fim ao que as está massacrando. A morte é uma linguagem também: comunica que o sofrimento terminou.

Ana Paula Lundgren é psicóloga com especialização e pós-graduação em Psicoterapia Adulto e Infantil, Avaliação Psicológica e Psicologia Jurídica