Caxias do Sul 15/05/2026

A censura interna

Discernir a rigidez plantada dentro de nós é um grande desafio para todos
Produzido por Neusa Picolli Fante, 15/05/2026 às 10:04:48
Neusa Picolli Fante é psicóloga clínica especialista em lutos e perdas
Foto: Morgane Coloda

Vemos notícias de pessoas que não dão conta da censura que está construída dentro delas. São rompantes que vêm à tona no trânsito, no dia a dia, numa desavença.

E aí me questiono: o que os faz pensar que não tem saída diante do que sentem ou do que acontece? Será que não aprenderam alguma lição importante, talvez mais amena, mais flexível? Será que não encontraram o apoio necessário? Ou, simplesmente, não conseguiram mudar o rumo das coisas que se moviam ao seu redor? Não aprenderam, inclusive, a ser menos severos consigo mesmo.

As marcas profundas, difíceis de discernir, vão se construindo em nós, sem que a gente se dê conta e de acordo com as vivências que foram se edificando desde nossos primeiros anos de existência. Percebe-se que, enquanto uns passam pelos desafios da vida com coragem e determinação, outros se despedaçam, se desfazem, se quebram em pedacinhos com um simples não ou uma cara feia.

Que inflexibilidade consigo mesmo é essa? Que dureza aprendida se constrói dentro daquele ser? Que superego inflado, rígido, toma conta daquele ser? Que difícil é para ele conviver com o desajuste do outro; mas, principalmente, consigo mesmo, com as próprias pendências. A inflexibilidade toma conta e corrói os seus dias.

É tanta bobagem que é condicionada em nós e que não deveria nos atormentar tanto quanto o faz, porque se refere a uma verdade construída a partir do outro e não é totalmente nossa. Nem sempre aprendemos a nos proteger dessas meias verdades e dessas tolas insanidades. Se não conseguimos perceber com clareza, elas nos enfraquecem, balançam, torturam e nos amarram a condições que nos limitam.

Discernir a censura que se impõe em nós é um grande desafio para todos. A rigidez plantada é tamanha que impede a flexibilidade de entrar. Até assumirmos o nosso destino construído a partir de nos darmos conta do que não podemos desprezar, do que precisamos olhar para poder seguir e nos reconstruirmos únicos, do nosso jeito, valorizando a nossa essência e os aprendizados da vida.

Sim, entrar em contato com o que está construído em nós é a verdade que segue. Precisamos aprender a conviver com o nosso passado e com os aprendizados que até ali foram plantados...

Para organizar o presente e o futuro, entre em contato e investigue o seu passado. Com passos tranquilos, coração leve, se permita entrar.

Neusa Picolli Fante é psicóloga clínica especialista em lutos e perdas. É palestrante e escritora, autora de oito livros: três de psicologia, três de crônicas e dois de poesia.

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