Caxias do Sul 18/05/2021

Carro elétrico: o futuro está logo ali, na esquina

Cresce o movimento mundial para a proibição de novos veículos movidos a gasolina e diesel em 10 ou 15 anos
Produzido por Silvana Toazza, 07/12/2020 às 11:54:14
Carro elétrico: o futuro está logo ali, na esquina
Magnani é um dos três pontos a oferecer recarga de carros elétricos em Caxias
Foto: Carlos Magnani

O carro elétrico ainda é interrogação na cabeça de muita gente, mas podem acreditar: ele será uma realidade sem marcha a ré em um período de apenas 10 anos.

Isso porque começa a se fechar no mundo o cerco à utilização da gasolina e do diesel, que geram poluição e ameaçam a sustentabilidade do planeta. O prazo, inclusive, para a mudança de mentalidade e de investimentos por conta de debates ambientais antecipará essa tendência que não tem volta. Tanto que o Reino Unido acelerou de 2035 para 2030 a proibição de venda de novos carros movidos a gasolina ou diesel.

O movimento é seguido pelo Japão e pela China. O gigante asiático busca banir carros a gasolina em 2035, ano em que a Califórnia (EUA) quer implementar regras rígidas contra veículos movidos a combustíveis fósseis.

A grande dúvida é como o mercado vai se acomodar diante dessa tendência. Um dado impactante: atualmente, a gasolina e o diesel movem cerca de 90% dos novos carros vendidos no mundo. E mais: 50% da produção atual da Petrobras destina-se a gasolina e diesel para o transporte rodoviário.

Estudo do Boston Consulting Group (BCG) indica que a proporção de modelos elétricos e híbridos passará dos atuais 10% para 51% das vendas globais em uma década.

Migração gradual e mais demorada em países em desenvolvimento

Sem radicalismos, contudo, o que se cogita no setor é que haverá uma migração gradual, embora, por conta de questões envolvendo custos, altos impostos, falta de infraestrutura logística, carência de incentivos governamentais, a gasolina e o diesel possivelmente ainda se mantenham por bastante tempo nas bombas e movendo veículos em países em desenvolvimento como os da América do Sul, frotas antigas e uma parcela dos carros híbridos.

A questão é que o mercado passará por uma transformação não imediata, mas em passos acelerados, a tal ponto de o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, vir a público sugerir que o governo brasileiro monetize os ativos que estão debaixo do mar – o petróleo do pré-sal: “Do contrário vai virar mico”.

Representantes da Petrobras acreditam, porém, que a transição energética para uma economia sem emissões de gases poluentes está no radar, mas o petróleo ainda terá espaço por muitas décadas.

No Brasil, essa conversão anda aditivada pelas montadoras aqui instaladas, embora a troca no país dos carros a gasolina e diesel por elétricos não será na mesma velocidade da Europa.

Os dados ratificam que essa transição já começou: mesmo diante da crise da Covid-19, de janeiro a outubro de 2020, as vendas de veículos elétricos e híbridos no Brasil cresceram 31% em comparação a todo 2019. Até setembro, os negócios haviam já ultrapassado toda a frota eletrificada comercializada no ano passado.

“Esses ótimos resultados confirmam nossa expectativa de que o mercado de eletrificados no Brasil tende a dobrar de tamanho a cada dois anos, ou menos”, afirma Thiago Sugahara, vice-presidente de Veículos Leves da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e executivo da Toyota.

A frota eletrificada em circulação no Brasil deve passar de 41 mil veículos neste mês de dezembro.

Três estações de carregamento em Caxias do Sul

Em Caxias do Sul, são três pontos abertos e sem custo hoje para carregamento de veículos híbridos e elétricos: em frente à Magnani Luz e Energia, na Perimetral Norte; junto ao Posto Ipiranga, na Rua Alfredo Chaves, nas imediações da prefeitura; e no estacionamento do Shopping Villagio Caxias (ex-Iguatemi).

“Resolvemos implantar essa estação de carregamento porque é um mercado novo que vem pela frente e queremos fazer parte desta revolução”, definiu Paulo Magnani, diretor geral da empresa que leva seu sobrenome, confirmando ser a primeira estação de recarga de veículos elétricos da cidade com geração própria de energia solar.

Estação de carregamento de veículos elétricos em Torres (Crédito da foto: Maximiliano Magnani)

A premissa é tão verdadeira que a Magnani abre a temporada de veraneio instalando mais uma estação de carregamento de carros elétricos, dessa vez junto à sua filial de Torres.

Para entender: embora as estações de carregamento possam levar a marca de alguma montadora parceira, elas são universais para veículos elétricos ou híbridos compatíveis com o padrão europeu (Tipo 2).

Ponto extra: o aplicativo PlugShare apresenta um mapa sinalizando as estações de carregamento próximas à região por onde está circulando o motorista do carro elétrico.