Alargam-se as fronteiras do conhecimento dos nossos pequenos? Aprender a se relacionar com pessoas, ter limites claros que direcionam para a vida. Saber o que sente e como cuidar daquilo? Expansão do conhecimento e expansão da consciência?
A equação que está sendo questionada é: quem ensina, quem orienta e quem cuida?
Onde termina a tarefa, a função de um, e começa a de outro? Parece que esse questionamento ficou confuso nos últimos tempos. O conhecimento, o ensinar, que era do professor, foi se modificando através dos tempos. Pais e sociedade assumiram uma parcela considerável, e até a internet ocupou um lugar questionável. Diante disso, quem vai ensinar como se relacionar?
Crianças, adolescentes em débito de aprender a como se relacionar, estão sendo vistos em diversos ambientes. Pais atrapalhados, que também não aprenderam a direção saudável de se envolver com a vida, superprotegem ao invés de dar um passo para trás. Perdem a oportunidade de valiosas lições implantar, contribuindo para a vida de seus filhos, que, em função disso, não conseguem crescer e se desenvolver, seja emocionalmente ou espiritualmente.
Crianças não empáticas vão se construindo – que fazem bullying com os próprios colegas, que causam uma onda de dissabores e de dor em quem não é aceito pelo pequeno grupo. Ou mesmo crianças que não têm opinião e se deixam influenciar facilmente.
Crianças que vão para a escola com uma brecha, que precisam voltar para esse aprendizado, ou vê-lo pela primeira vez na escola. A partir dali fica em aberto o ensinar teoria, pois há muito para estruturar enquanto seres humanos em construção.
Se essas crianças negligenciadas não tiverem pais presentes e dispostos a ajudar a construir com segurança o caminho dos seus; que os ajude a enxergar-se e perceber o desvalor despejado no filho. Um empurrando para o outro pode terminar numa disputa de egos dos pais.
Enquanto isso, crianças sem direção estão sendo gestadas, até encontrarem pais que se comprometem com o saudável!
Aliás, tenho visto pais que, além do pouco entendimento que tiveram, se gestaram positivamente, se informando, repensando e assumindo a responsabilidade de fazer a diferença nas suas vidas. Eles têm minha admiração. Aqueles que procuram compreender e desenvolver novas maneiras de ensinar e transmitir aprendizados e ao mesmo tempo ajudam ao pequeno compreender a vida e a si mesmo.
Neusa Picolli Fante é psicóloga clínica especialista em lutos e perdas. É palestrante e escritora, autora de oito livros: três de psicologia, três de crônicas e dois de poesia.
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