Mensagens como essa sobre ritmo, velocidade e quantidade de livros lidos num determinado tempo pipocam, diariamente, em nossas redes sociais, trazendo muitas vezes um incômodo, um desconforto para avaliar nossa performance diante da leitura.
Será importante ter ritmo próprio de leitura? Não será a obra, o gênero, que determinam o ritmo? Para mim, o conteúdo, a história é que determinam. Você já pensou nisso?
Apesar de sempre aconselhar quem pretende obter o hábito da leitura a começar por livros breves, nem sempre o volume ou número de páginas corresponde diretamente ao ritmo. Muitas vezes, livros curtos são tão densos que nos desaceleram totalmente. As ideias e conteúdos apresentados exigem lentidão para a compreensão, clamam por introspecção e reflexão.
Ao mesmo tempo, suspenses longos, calhamaços, tornam-se leituras velozes, caminhando para a solução de mistérios e segredos que tem residência nos últimos capítulos ou páginas.
Descobrir o ritmo nem sempre é uma boa experiência, essa preocupação não deve ser do leitor, mas sim do escritor, que desenvolve essa possibilidade para entregar o que pretende. É sempre bom lembrar que a preocupação na atividade literária deve ser com a qualidade e não com a quantidade, com a capacidade de ler muitos livros num mês.
Quanto mais lemos, percebemos que mais teremos o que ler, mas isso não pode se tornar angustiante. O ato de ler precisa vir com prazer para que haja memória e mergulho nas narrativas.
Daisy Gouveia é apresentadora, escritora, influenciadora digital, host do Podcast ‘Leiture-se’ e criadora do Clube de Leitura da Daisy. Usa as redes sociais para incentivar as pessoas, principalmente as mulheres, a adotarem o hábito da leitura.
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