Caxias do Sul 18/08/2022

Há 30 anos, supergrupo de rock lançava seu segundo e último trabalho

O “Traveling Wilburys”, que reunia cinco dinossauros do rock, gravou apenas 22 canções e segue icônico
Produzido por Marcos Fernando Kirst, 30/08/2020 às 12:21:00
Há 30 anos, supergrupo de rock lançava seu segundo e último trabalho
Os Traveling Wilburys: Bob Dylan, Jeff Lynne, Tom Petty, Roy Orbison e George Harrison
Foto: DIVULGAÇÃO

Por MARCOS FERNANDO KIRST

O glamour e o apelo dos supergrupos de rock já havia arrefecido há algum tempo, em especial devido ao fim do Cream, em 1969, e da atividade sempre incerta, apesar de genial, do Crosby, Stills, Nash & Young, sem falar na reunião de um dia só do The Dirty Mac (breves observações sobre essas três bandas ao final deste texto, para saciar os curiosos). Mas isso não impediu que, em 1988, Bob Dylan, George Harrison, Roy Orbison, Tom Petty e Jeff Lynne aproveitassem o pulsar da amizade, da parceria e do talento que os unia para criar uma das mais icônicas superbandas já gestadas no universo do rock and roll, a Traveling Wilburys.

O projeto teve vida curta (a banda se desfez em 1990), mas legou ao mundo dois álbuns excelentes, um total de 22 canções (uma delas em single) e vários videoclipes históricos, pelo fato de reunirem em uma mesma tomada, em estúdio, esses cinco mastodontes do universo roqueiro. Jamais excursionaram ou fizeram shows, mas suas músicas costumam ser executadas em apresentações ao vivo de seus ex-integrantes (confira abaixo os links para algumas delas).

A ideia surgiu quando George Harrison (1943 - 2001) estava produzindo um single (disquinho em vinil com apenas duas canções, uma em cada lado) para promover seu mais recente álbum, “Cloud Nine”, de 1987. O lado A vinha com a canção “This is Love”, extraída do álbum, e, para a faixa do lado B, George usou o estúdio de gravação de seu amigo Bob Dylan, em Santa Monica, na Califórnia (EUA), para produzir uma nova canção (“Handle With Care”) com uma ajudinha de seus amigos Bob Dylan, Roy Orbison (1936 – 1988), Tom Petty (1950 – 2017) e Jeff Lynne. A “vibe” entre eles foi boa, a música ficou um brinco, o entusiasmo falou mais alto e decidiram gravar todo um disco juntos, utilizando pseudônimos. Assim nasceu o “Traveling Wilburys Volume 1”, lançado em outubro de 1988.

Como todos são cantores e compositores, as contribuições foram vindo de cada um deles e o barato é escutar as músicas e tentar identificar a parte cantada por cada um dos artistas, uma vez que suas vozes são facilmente reconhecíveis. A aceitação do público foi um sucesso e o quinteto logo começou a planejar um segundo álbum. A ducha de água fria no projeto veio logo em dezembro daquele ano, com a morte súbita de Roy Orbison, de ataque cardíaco, aos 52 anos.

Como ele já havia gravado clipes e colocado vozes em algumas das faixas do futuro segundo álbum, os quatro Traveling restantes se reuniram de novo e concluíram o projeto, que foi lançado em 1990. No entanto, foi intitulado “Traveling Wilburys Volume 3”, pulando a sequência lógica, uma vez que, conforme os planos originais da banda, o volume dois deveria contar com a presença física de Orbison. Foi uma forma de homenageá-lo.

SENTE O SOM dos Traveling Wilburys na seleção abaixo.

“Last Night” figurou entre os vários sucessos do álbum de estreia. Sente o som AQUI

“Inside Out” foi um dos grandes hits do segundo álbum, com a participação de Jim Keltner na bateria. Sente o som AQUI

A canção “Nobody's Child” foi lançada em single, em 1990, e não integra o set list dos dois álbuns oficiais da banda. Sente o som AQUI

SENTE O SOM DOS TRIBUTOS

Jeff Lynne, em tour com sua banda Eletric Light Orchestra (ELO), em 2019, convida ao palco o filho de George Harrison, Dhani Harrison, para executar “Handle With Care”, composta por George e que deu origem aos Traveling Wilburys. Sente o som AQUI

No concerto em homenagem a George Harrison, realizado em 2002 e que reuniu dezenas de lendas vivas do rock, os Wilburies Tom Petty e Jeff Lynne conduzem outra versão da canção, junto à banda The Heartbrakers (de Tom Petty) e a Dhani Harrison. Sente o som AQUI

OS SUPERGRUPOS

CREAM

O primeiro ato de reunião de astros da música que já tinham reconhecimento próprio para formar e fermentar uma nova banda surgiu na Inglaterra, em 1966, quando o guitarrista Eric Clapton (ex-Yardbirds e ex-John Mayall's Bluesbreakers) reuniu-se ao baixista Jack Bruce (1943 - 2014) (ex-John Mayall's Bluesbreakers e ex-Manfred Mann) e ao baterista Ginger Baker (1939 – 2019) (ex-John Mayall's Bluesbreakers) para formar o Cream. Ficaram conhecidos como um “power trio” (“trio poderoso”) devido às suas atuações virtuosísticas nos instrumentos que manejavam com maestria. O tamanho dos egos de cada um impediu a sequência da banda, que se desfez em 1969.

Sente o som do Cream em reunião histórica de seus membros em 2005 AQUI

CROSBY, STILLS, NASH & YOUNG (CSN&Y)

O supergrupo surgiu em 1968 com a reunião do norte-amricano David Crosby (ex-The Byrds), o também norte-americano Stephen Stills (ex-Buffalo Springfield) e o inglês Graham Nash (ex-The Hollies). Após o sucesso do primeiro álbum, decidiram inserir um quarto membro na banda e convidaram o canadense Neil Young (ex-Buffalo Springfield). As harmonias vocais do quarteto é o ponto alto de suas performances. A participação de Young na banda passou a ser infrequente, agindo quase como um músico convidado. Assim, dependendo do show e do disco, a banda se chama CSN&Y ou CSN. Atualmente, estão brigadíssimos e a chance de voltarem à ativa enquanto banda é perto de nula. Mas, nos quadrinhos e no rock, as ressurreições sempre são possíveis...

Sente o som do CSN&Y AQUI

THE DIRTY MAC

Foi uma banda formada quase ao acaso, entre os astros convidados para se apresentar no show televisivo protagonizado pelos Rolling Stones em 1968 e que ficaria conhecido pelo disco e vídeo intitulado “Rock and Roll Circus”. Reuniram-se John Lennon (dos Beatles) na guitarra base e vocais, Keith Richards (Rolling Stones) no baixo, Eric Clapton (Cream) na guitarra solo e Mitch Mitchell (The Jimi Hendrix Experience) para fazer uma performance da música “Yer Blues”, dos Beatles.

Sente o som AQUI