Caxias do Sul 27/02/2021

"Depois de um ano de aprendizado, nossa palavra-chave para 2021 é 'transformação'"

Executivo de uma das melhores empresas para trabalhar na Serra Gaúcha confirma retomada dos negócios, ampliação de equipe e deixa lições na pandemia
Produzido por Silvana Toazza, 19/01/2021 às 09:37:39
Ismael Daneluz é vice-presidente de Vendas e Serviços para a América Latina da Palfinger
Foto: Jeferson Deboni

A austríaca Palfinger ingressou no mercado brasileiro em 2001 por meio da aquisição da Madal, fabricante caxiense de guindastes articulados. Desde então, o conglomerado serrano tornou-se a plataforma industrial e comercial do grupo para a América do Sul.

Não é apenas de números que se constrói a história da líder mundial na fabricação de guindastes articulados. Mas também e sobretudo pela valorização de sua equipe de profissionais. Tanto que a Palfinger conquistou recentemente destaque entre as Melhores Empresas para Trabalhar na Serra Gaúcha, ficando em lugar no prêmio regional Great Place to Work (GPTW).

Também em 2020, pelo segundo ano consecutivo, a Palfinger arrematou essa distinção de excelência em ambiente corporativo em âmbito estadual. Na entrevista a seguir concedida à seção Conversa Afiada, Ismael Daneluz, vice-presidente de Vendas e Serviços para a América Latina da Palfinger, comenta o momento vivido pela companhia:

Como foi 2020? A empresa fechou com crescimento e geração de empregos, ou não?
O ano de 2020 começou com muito otimismo motivado pela retomada no setor de máquinas e equipamentos observada no último trimestre de 2019. O impacto da pandemia nos nossos negócios foi imediato e relevante, porém, a retomada ocorreu igualmente de forma rápida, permitindo que a Palfinger registrasse ao término de 2020 um aumento de receita de dois dígitos. Essa recuperação que tivemos refletiu em um aumento de 25% no nosso quadro de funcionários para atender à crescente demanda do mercado, ou seja, gerando novos empregos em plena pandemia. Ainda em 2020, outro ponto relevante da nossa trajetória foi que concluímos a aquisição e integração da nossa empresa controlada na Argentina ao Grupo Palfinger, registrando resultados positivos com as sinergias, apesar do contexto volátil e complicado que vive o nosso país vizinho.

Qual a estrutura atual em termos de área fabril, produção e funcionários?
Na região da América Latina, contamos com 630 funcionários distribuídos em duas plantas produtivas e em nossas filiais. Somente nesta região, atendemos cerca de 30 países, para os quais distribuímos e servimos nossos clientes com o portfólio completo de produtos do Grupo Palfinger, com mais de 80 pontos de vendas e serviços espalhados.

Quais as perspectivas que se desenham para 2021?
Visualizo este ano com muito otimismo. Acredito que a economia deve manter a retomada de crescimento, como já observamos pelos principais indicadores conjunturais, além da chegada da vacina contra a Covid-19 que nos traz esperança. Ainda há um caminho bastante dificultoso pela frente, a pandemia ainda é uma realidade, e vamos ter de enfrentar os efeitos pós-pandemia, além da escassez de insumos e matérias-primas, e o consequente impacto nos custos. A experiência adquirida com os acontecimentos de 2020 nos fez estar muito mais preparados para estes próximos desafios.

De que forma a pandemia impactou no setor?
Acredito que para grande parte das empresas, a pandemia teve um impacto geral negativo sobre os negócios. Tivemos de priorizar a saúde de todos e paralisar nossas fábricas em um momento de grande crescimento. Além disso, muitos investimentos e obras acabaram sendo postergados, o que, de certa forma, impactou no nosso crescimento ao longo do ano.

Quais as estratégias utilizadas para subverter as dificuldades?
Nosso principal foco foi nas pessoas, ou seja, iniciando pelos nossos funcionários. Priorizamos a adaptação ao home office, cancelamos viagens e implementamos todos os protocolos de segurança para que o trabalho pudesse ser realizado a distância e protegido. Tamanha dedicação nos permitiu sermos novamente reconhecidos como uma das melhores empresas para trabalhar na Serra Gaúcha, segundo ranking do GPTW. Ao mesmo tempo, nos conectamos com os nossos clientes e parceiros para entender como estava a realidade deles. Procuramos dar todo o suporte para minimizar os impactos da pandemia em seus negócios. Por fim, o passo seguinte foi buscar as oportunidades e enfrentar os desafios de forma positiva. Tivemos de otimizar nossas despesas, revisar processos e encontrar novas oportunidades no mercado.

O momento é de euforia ou cautela?
Acredito que é um misto dos dois. Vejo que o cenário geral é de otimismo, de retomada, temos uma perspectiva de que os negócios serão melhores do que em 2020. Porém, ainda dependemos de avanços, há incerteza em todos os setores, tanto no âmbito público quanto no privado. Talvez, no segundo semestre, possamos ter uma clareza melhor sobre isso.

Quais são os principais mercados e segmentos atendidos hoje?
Atendemos o mercado da América Latina para toda a linha de produtos do Grupo Palfinger. Atuamos principalmente nos segmentos de construção civil, mineração, logística, transporte, elétrico e agricultura. Temos orgulho de ser a marca líder global no nosso segmento, presente em 130 países nos cinco continentes, além de ser a referência no mercado nacional e da América Latina devido aos nossos rigorosos padrões de qualidade e inovação técnica.

Qual a lição deixada pela pandemia?
A pandemia nos trouxe diversas lições, porém acredito que uma das principais é a importância de ser resiliente e de adaptar-se rapidamente frente às situações adversas. Também destaco as pessoas e a cultura corporativa: ter as pessoas certas trabalhando em conjunto em uma cultura vencedora é essencial para enfrentar qualquer crise.

Há planos de expansão no horizonte? O que o público pode esperar em termos de novidades?
Posso afirmar que muitos projetos e iniciativas serão lançados neste 2021. Estamos alinhando nossa empresa às novas tendências de digitalização, com o lançamento de novas ferramentas e tecnologias para estarmos mais próximos dos nossos clientes e parceiros. Continuaremos demonstrando nossa liderança em soluções inovadoras e de alta tecnologia, expandindo nosso atual portfólio de modelos e lançando novas linhas de produtos. Também seguiremos investindo na modernização das nossas plantas produtivas no Brasil e Argentina, alinhando nossa estratégia operacional ao nosso pilar corporativo “flexibilidade”, para atender às novas demandas e à volatilidade dos nossos mercados. Depois de um ano de incerteza e aprendizado, nossa palavra chave para 2021 é “transformação”.

Que conselho daria a executivos que estão desanimados neste início de ano?
Gosto de uma frase atribuída ao Ayrton Senna que se encaixa nesse período: “Você não pode ultrapassar 15 carros em um dia ensolarado, mas você pode em um dia chuvoso”. Para muitos o cenário atual é tempestuoso, de dificuldades, incerteza e sofrimento. Acredito que a saída depende de como enfrentamos a situação, se arriscamos ultrapassar nossos medos, nossos paradigmas, se arriscamos mudar e tomar caminhos diferentes. Mas também é preciso ser mais humano e solidário com o próximo. É importante seguir em frente, apostar na sua equipe, para sair dessa crise mais fortes do que entramos.