Caxias do Sul 27/02/2021

“Abandonar aquilo que sempre deu certo é a grande dificuldade”

O olhar humano e agregador da nova diretora da CDL Jovem Caxias do Sul
Produzido por Silvana Toazza, 14/01/2021 às 19:13:44
“Abandonar aquilo que sempre deu certo é a grande dificuldade”
Shaíze Maldonado Roth é a nova diretora da CDL Jovem Caxias do Sul
Foto: Julio Soares

A CDL Jovem (Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem) de Caxias do Sul tem novo comando. Com 28 anos, a psicóloga Shaíze Maldonado Roth, sócia-diretora da empresa Sou - Coaching e Consultoria, é a nova diretora desse departamento da entidade voltado à formação de novas lideranças.

Ela traz ao setor do varejo, além de vontade de inovar, um olhar voltado ao humano, num período em que a pandemia exige mudança de visão de processos e mentalidade:

“O mercado precisa olhar novas iniciativas e testá-las. Precisamos também deixar de ver o erro como algo ruim, mas sim como aprendizado para nos levar para frente”, destaca a jovem liderança.

Confira na entrevista exclusiva à seção “Conversa Afiada” o que pensa a nova diretora da CDL Jovem Caxias do Sul, Shaíze Maldonado Roth:

Como está sendo o desafio de assumir a diretoria da CDL Jovem Caxias?
Uma experiência muito interessante. Temos uma equipe bastante envolvida nas ações, que nos oferece todo o suporte para darmos continuidade ao que já vem sendo feito e para desenvolver novos projetos. A entidade estimula e acredita no nosso desenvolvimento e no nosso trabalho. Levamos em consideração o cenário de pandemia, que pode exigir adaptações de alguns dos nossos projetos.

De que forma se interessou em atuar além da sua empresa?
Sentia a necessidade de fazer algo que impactasse, não apenas meus clientes, mas também a própria sociedade. Sempre tive um olhar voltado à necessidade de dar suporte aos empreendedores para fazermos os negócios crescerem ainda mais e trazer inovação para lidarmos com os desafios do mercado de forma mais assertiva. Quando conheci a CDL Jovem, entendi que era uma oportunidade de fazer isso, principalmente pelos projetos já conduzidos pela entidade, como o Open Mind, que sempre traz novas ideias, ou como a campanha Dia Livre de Impostos, que chama a atenção de todos para a alta carga tributária no país.

Qual a grande meta à frente da CDL Jovem?
Dar continuidade aos projetos já existentes, buscar novas iniciativas para fomento ao desenvolvimento tanto da CDL Jovem quanto dos demais associados, além de fortalecer e dar suporte ao empreendedorismo e inovação.

O setor do comércio precisou se reinventar por conta da pandemia. Como enxerga isso?
Enxergo como um momento muito difícil, inclusive para aqueles que, em função da pandemia, tiveram de fechar as portas. A necessidade de mudança e a habilidade de nos adaptarmos rapidamente a novos cenários já era algo amplamente discutido. No entanto, nunca havíamos vivido uma situação que exigisse isso e que influenciasse na sobrevivência de muitos negócios. O olhar para a experiência do cliente, a digitalização dos negócios, o e-commerce, entre outros, passaram de incomuns para essenciais. Entendo que é um momento difícil, mas que certamente fortalecerá e abrirá oportunidades para novos negócios.

Você vem do setor de serviços. Isso representa um desafio extra ou um olhar ainda mais amplo?
Um olhar mais amplo. Tudo que construímos na CDL Jovem vem de muitas mãos, de áreas e pensamentos diferentes. Acredito muito que a combinação disso e a colaboração trazem um diferencial para os projetos desenvolvidos. Particularmente, estar nesse momento na gestão é a oportunidade que tenho de colocar em prática aquilo que ensino e de como preparo as lideranças para conduzirem dentro dos seus negócios.

Quais as grandes dificuldades que enxerga no mercado?
A adaptabilidade, a resistência às mudanças, as dificuldades em aceitar novas iniciativas e de ter um olhar para o humano. Muitas pessoas e empresas ainda têm dificuldade de abandonar aquilo que “sempre deu certo”. Vivemos um momento diferente, mudamos como pessoas, como cidadãos, como clientes, temos novas expectativas em relação ao trabalho, aos relacionamentos e também com aquilo que consumimos. Estamos mais exigentes, mais imediatistas, queremos fazer a diferença, queremos ser ouvidos. Isso é ter um olhar para o ser humano. O mercado precisa olhar novas iniciativas e testá-las, precisamos também deixar de ver o erro como algo ruim, precisamos vê-lo como aprendizado para nos levar para a frente.

Como vê o comércio informal?
Vejo o comércio informal como uma concorrência desleal com quem tem de pagar impostos e enfrentar a burocracia de ser um empreendedor formal. Claro que, muitas vezes, enfrentamos questões sociais com o tema. Mas vejo um movimento importante das entidades em ajudar essas pessoas em recolocações.

Muitas tradicionais redes de varejo locais precisaram fechar as portas, algumas pelo contexto, outras pela falta de sucessão. Como formar lideranças jovens?
O primeiro passo é identificar talentos e o desejo de assumir esse tipo de desafio. Nada pode ser feito se não houver isso. É preciso prepará-los com conhecimento e experiência, não só técnicas, como também aspectos comportamentais e deixá-los praticar, tentar e construir seus aprendizados. Um grande desafio é que profissionais mais experientes têm receio de delegar totalmente a função, centralizando algumas demandas, o que impede esse desenvolvimento. Outro ponto é dar espaço para que as lideranças jovens tragam ideias e possam colocá-las em prática, conciliar o que já deu certo com o que pode dar certo (experiência x inovação).

O e-commerce é um aliado ou um concorrente?
Com certeza, um aliado. O cenário de pandemia acabou antecipando o processo natural em curso de ampliação da oferta de produtos de forma online e muitas empresas precisaram se adaptar ao momento. A própria CDL tem estimulado a criação de ferramentas para facilitar a adaptação dos associados a este novo momento do comércio, que acreditamos ser um caminho sem volta.

2021... O que esperar?
Ainda um ano incerto. No entanto, com a esperança da imunização e com a grande experiência adquirida por todos no ano de 2020, acredito que possamos ter bons resultados. Na CDL Jovem estamos pensando em diversos projetos com foco em trazer iniciativas que já deram certo em outros lugares do Brasil e podemos adaptar à nossa realidade.

Que dicas daria a jovens empreendedores intimidados pelo momento?
Busquem ajuda, troquem ideias e estejam atentos às tendências de mercado. Muitas empresas também cresceram nesse momento de pandemia, por isso, é sempre hora de tentar, inovar e aprender.