Caxias do Sul 23/10/2021

“A Mercopar deixou de vender máquinas para vender inovação”

Daniel Randon, CEO do grupo Randon, lidera movimento tecnológico que coloca Caxias do Sul na rota nacional de inovação
Produzido por Silvana Toazza, 07/10/2021 às 15:40:09
“A Mercopar deixou de vender máquinas para vender inovação”
Daniel Ely e Daniel Randon comandam o movimento de inovação do grupo Randon
Foto: Silvana Toazza

POR SILVANA TOAZZA

Circular na Mercopar 2021 é conhecer novamente a feira de negócios. Se antes, até poucos anos atrás, o visitante parava para admirar maquinários imensos, agora os pavilhões abraçam outro conceito. O da solução. O da cooperação. O do trabalho integrado e das parcerias com vistas a melhorar lacunas no que tange serviços, logística e suprimentos para a cadeia industrial. O progresso está nas mãos da tecnologia e do pensamento interligado. Da cultura coletiva e não individual.

A percepção é geral. E compartilhada por um dos principais mentores desse novo momento criativo que insere Caxias do Sul e a Serra Gaúcha na rota nacional e internacional da inovação. Ao circular pelo estande da Randon na 30ª Mercopar, a tônica está dada. Lá estão inseridas as marcas que integram o complexo industrial, assim como os projetos e startups engajados ao movimento do grupo pela inovação.

Essa abertura para um futuro que já chegou fica evidente com a presença de executivos da Randon junto ao moderno, amplo e circular estande, explicando como enxergam a virada de chave pela integração, ao lado de parceiros, empresários, estudantes, visitantes e lideranças que não param de chegar para trocar ideias. E aprender. E sugerir.

“A Mercopar deixou de vender máquinas para vender inovação”, expressa Daniel Randon, CEO do grupo, ao lado de Daniel Ely, outro executivo do conglomerado que conduz esse processo de transformar Caxias num pequeno Vale do Silício (EUA).

Pela feira e na Praça de Alimentação da Mercopar, o visitante depara com robôs que fornecem e alcançam sorvete e água, e até que falam com o público, além de outros específicos pelos estandes.

Like a Boss

Uma das marcas caxienses que se destacam no time de inovação é a Moderniza Group, focada em softwares para o varejo. A companhia foi selecionada entre as seis finalistas da 30ª Mercopar que integraram a arena do Desafio de Pitches Sebrae Like a Boss. As organizações tinham quatro minutos para apresentar as suas soluções à banca de especialistas convidados pelo Sebrae RS.

“Foi um desafio gigante e uma grande oportunidade de apresentar nosso propósito”, salientou Giovani De Zorzi, CEO da Moderniza, que na próxima semana estará no SC Summit.

Grupo da Governança do Ecossistema de Inovação de Caxias do Sul

Pacto pela inovação em Caxias do Sul

A Mercopar também serviu para que fosse celebrado, nesta quinta-feira (7) de manhã, um pacto pela inovação em Caxias do Sul, visando fortalecer o ecossistema local de tecnologia com a integração dos seus atores em prol do desenvolvimento da cidade, por meio de ações e estratégias que fomentem a economia local.

A iniciativa é do Grupo da Governança do Ecossistema de Inovação de Caxias, criado sob o estímulo do Sebrae Caxias do Sul. Atualmente, o grupo é integrado por 47 entidades e empresas locais.

Integram a parceria: Acelera Serra, Agência Zen, APL, Bitcom, CAAF, Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, CDL Caxias do Sul, CIC Caxias, Cipnet, Conexo Randon, Gipan Consultorias, Efaserra, Emater, Frente Parlamentar para Startups, Empreendedorismo Inovador e Proteção de Dados, FSG, IFRS, Inova RS, Instituto Hélice, Agrodtech, La Casa Nostra, Legaltech (Linklei), Minha Escola, Mobi Caxias, Moderniza Group, Next Marcopolo, Núcleo Sistemas, OAB Caxias do Sul, Prefeitura de Caxias do Sul, Senac, Senai, Sesi, Sicredi, Sebrae, Simecs, Sindilojas, Smapa, OSucateiro, Trino Polo, Habit, UCS Inova, Uergs, Uniftec, Venturin Uvas Finas e Viaturo.

Projetos com grafeno

Pesquisa e inovação que abrirão investimentos para a região. O grafeno mudará a matriz produtiva e impulsionará a economia da Serra. De olho nessa promissora realidade, a Mercopar 2021 foi moldura para o lançamento da linha de investimento em Grafeno, uma linha de crédito exclusiva para apoiar projetos relacionados ao material. Resultado de uma parceria entre a Sicredi Pioneira e a Sicredi CooperUCS, a proposta auxiliará no financiamento de projetos de pesquisa e desenvolvimento envolvendo o grafeno e que poderão atrair investimentos para a região, gerando emprego e renda aos municípios.

"Isso conversa diretamente com o propósito do Sicredi de contribuir com o desenvolvimento das comunidades e impulsionar os negócios locais", enfatiza o diretor-executivo da Sicredi Pioneira, Solon Stapassola Stahl.

Para a concessão de crédito, o projeto precisa ter sua viabilidade aprovada pela UCSGRAPHENE, planta de produção, caracterização e aplicação de grafeno da Universidade de Caxias do Sul (UCS).

A saber: o grafeno é capaz de substituir matérias-primas, sendo leve, resistente e aplicável em vários setores da indústria. Revestimentos avançados, materiais inteligentes, equipamentos de segurança, medicina regenerativa, nanotecnologia, compósitos, polímeros, metais e cerâmicas são apenas algumas das aplicações.

Retomada econômica

Se inovação é a protagonista da Mercopar, a sensação de retomada econômica com força é outra tônica que conduz as conversas nos corredores da feira, que termina nesta quinta-feira (dia 7/10). Um termômetro de que 2021 termina bem melhor do que 2020, em função do avanço da vacinação e de uma sensação de maior tranquilidade em relação ao controle do vírus.

“A Mercopar de 2022 será ainda melhor do que esta. Aqui está uma virada de chave e um ensaio do que está por vir”, expressou Paulo Magnani, diretor-geral da Magnani Luz e Energia, um grande entusiasta de tendências tecnológicas, que levou à feira novidades para o segmento de iluminação, com os exclusivos geradores de parede e de portão (foto abaixo), que entram em cena em caso de falta de energia elétrica.