Todo negócio nasce de uma ideia, mas acredito que, para continuar empreendendo nos momentos mais difíceis, é preciso algo além de um plano. É preciso inspiração.
Ela pode vir de uma pessoa, de uma experiência, de um sonho ou da fé. No meu caso, uma das grandes fontes de inspiração está em Provérbios 31, especialmente na figura da mulher virtuosa, que encontro como referência para mulheres que desejam trabalhar, construir, cuidar e contribuir com a sociedade.
Empreender como mulher nunca foi simples. Somos preparadas desde cedo para assumir diferentes papéis e, na vida adulta, podemos ser esposas, mães, profissionais e cristãs. Muitas vezes, essas responsabilidades acontecem ao mesmo tempo. Há dias em que precisamos tomar decisões importantes para os negócios enquanto pensamos na família, cuidar de outras pessoas enquanto tentamos cuidar de nós mesmas e seguir nossos sonhos sem perder de vista aquilo em que acreditamos.
É por isso que Provérbios 31 conversa tanto com a realidade da mulher empreendedora. O texto apresenta uma mulher ativa, trabalhadora, cuidadosa com a família e capaz de administrar recursos, negociar e tomar decisões.
Em um dos trechos, lemos que ela “examina uma propriedade e a compra; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho”. Em outro, o texto afirma que ela “faz roupas de linho e as vende, e fornece cintos aos comerciantes”.
Ela trabalha, produz, administra e toma decisões e, portanto, não estamos diante de uma mulher passiva. Para mim, essa passagem traz a lição de que a mulher virtuosa não é aquela que consegue fazer tudo ao mesmo tempo, mas aquela que sabe colocar ordem no que está sob sua responsabilidade.
Isso é diferente de acreditar que precisamos dar conta de tudo sozinhas. A nossa força também está em reconhecer limites, pedir ajuda, se preparar e entender que cada fase da vida exige escolhas diferentes.
Mas Provérbios 31 apresenta ainda uma característica que considero fundamental. A mulher virtuosa “estende a mão ao pobre e ajuda o necessitado”.
Essa passagem também transforma nossa visão sobre sucesso. Um negócio pode nascer da necessidade de pagar as contas, conquistar independência financeira ou realizar um sonho. Mas pode também gerar empregos, oportunidades e condições para que outras pessoas construam suas próprias histórias.
É assim que enxergo o meu trabalho com mulheres empreendedoras. Quando uma mulher melhora a gestão do seu negócio, ganha segurança para tomar decisões e consegue crescer, o resultado pode chegar à sua família e aos seus filhos. E, quando usamos conhecimento, recursos e oportunidades para ajudar mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade, o negócio ganha uma dimensão social.
Para mim, empreender também pode ser uma forma de servir.
No centro dessa construção está a fé. A passagem termina afirmando que “a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada”. Esse temor não representa medo, mas o reconhecimento de que existe algo maior do que nós e uma direção que orienta nossas escolhas.
Competência, conhecimento, gestão e dinheiro importam. Coragem para empreender também. Mas nenhuma conquista deveria ocupar o lugar dos valores que sustentam quem somos.
Em tempos mais complexos, acredito que precisamos voltar às nossas fontes de inspiração. Elas nos lembram quem somos, quais valores queremos preservar e por que continuamos quando empreender parece difícil.
A minha inspiração vem da fé, das mulheres que decidem recomeçar e da possibilidade de usar aquilo que construímos para ajudar outras pessoas.
E a sua, de onde vem?
Beatriz Machnick é CEO da Machnick&Co., empresa que atua na gestão financeira e formação de preços para escritórios de advocacia em todo o Brasil.