Caxias do Sul 18/08/2022

Prioridades do setor moveleiro gaúcho

Em 2020, fomos assolados por um inimigo invisível que deixou a todos sem saber o que fazer e tivemos de nos adaptar
Produzido por Rogério Francio, 27/08/2020 às 18:19:32
Foto: Carlos Ferrari

Agosto está chegando ao fim, mas, durante este mês, a Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), entidade que presido, mobilizou-se no sentido de defender as 2,6 mil indústrias no Estado com relação a alguns aspectos importantes para a sustentabilidade econômica dos negócios. Sendo assim, foram encaminhados dois ofícios: o primeiro à Abimóvel e o segundo ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Para a Abimóvel, solicitamos medidas urgentes de proteção às indústrias moveleiras gaúchas e nacionais junto ao Governo Federal em relação aos fornecedores de matérias-primas e ao aumento dos preços, especialmente na área de painéis de madeira, como MDP revestido e cru. Enfatizamos que essas situações não ocorrem apenas nesse difícil momento de pandemia, mas têm sido recorrentes em diferentes momentos nos últimos anos.

As indústrias têm sido penalizadas pela constante alta de imposto, pelo aumento do frete e da energia elétrica, pela forte desvalorização do real frente à moeda norte-americana e também pelo comportamento de fabricantes, o que é extremamente grave e tem gerado grande dificuldade no controle de custos dos negócios, pois, neste momento, é inviável o aumento no preço para lojistas e consumidores.

Alguns associados da Movergs verificaram que, apenas no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2019, a exportação do MDP cru para a China registrou aumento de 700% e caso muito semelhante ocorreu com os EUA, com alta de mais de 600%. As indústrias não podem ser punidas pela falta de políticas de mercado e instabilidade de preços.

Ao Governo do Estado do RS, nos referimos à nova proposta de mudanças na Reforma Tributária e redução no número de alíquotas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de cinco para apenas duas faixas. Reforçamos a importância de que o setor moveleiro gaúcho mantenha o desconto na base de cálculo na faixa de 12% do ICMS.

Em 2020, fomos assolados por um inimigo invisível que deixou a todos sem saber o que fazer, não apenas no RS, não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Por não entender o real problema de uma pandemia, pagamos caro por tudo isso.

Tivemos de nos adaptar, mas, mesmo assim, tivemos uma queda de aproximadamente 30% nos primeiros quatro meses de 2020, o que é muito significativo, inclusive na área internacional. A partir do momento que começamos a conjugar o verbo aprender, ou seja, estamos convivendo com essa nova normalidade, nos adaptamos, mesmo com redução de funcionários, de salários, o home office, e conseguimos uma retomada a partir de maio.

No entanto, mesmo com todos os percalços, os empresários estão trabalhando para recuperar perdas e fazer de 2020 um ano de superação e não um ano perdido, como muitas pessoas estão lamentando por aí. Acreditamos que 2021 será, definitivamente, o ano da retomada.

Rogério Francio é presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs)