A vida e os relacionamentos mudam constantemente. Estamos, o tempo todo, amarrando e desamarrando relações.
Falar de vínculo é falar de como aprendemos e como podemos modificar alguns aprendizados. É também verificar como nos relacionamos com o outro que segue próximo a nós.
Começo questionando: quem te disse que você era bom, que era capaz? Quando você soube que era realmente bom no que fazia (não o bonzinho demais, aquele que faz tudo para todos, mas o bom que é coerente, que vai na direção da vida, de uma expansão de consciência)?
Aquele que, acima de tudo, é justo consigo e com o outro. Aquele que fala com sabedoria sem machucar, mas com verdade e inteireza. Ou você ainda procura esse registro dentro de si e não o encontra?
Ninguém teve a sensibilidade de lhe dizer, de aprovar suas atitudes, e você ficou na falta. Mas pode não ficar para sempre assim: se ninguém lhe disse, hoje, você adulto, precisa construir dentro de si esse registro de valor. Hoje é você com você mesmo; o adulto que era acolhendo a criança que foi. Consegue?
O vínculo vem permeado de olhares, de sentimentos, de atitudes e de como elas interferiram e ainda interferem nos seus/nossos dias. Como elas palpitam internamente em nós.
Dentro das relações, também reside a força do silenciado. Aqueles segredos e mentiras que ficam ocultos. É ali que o que não é dito repercute numa angústia muito grande que pode permanecer como uma ferida aberta para o sofrimento dos envolvidos que, embora não sabendo o que acontece, estão presos à rede de omissões, negligências e de não compreensões.
Um professor, um cuidador, assim como pai, podem ser um vínculo seguro. Como sabemos, muitas vezes, o vínculo seguro vem do lugar que nem imaginamos e de pessoas distantes, mas que deixam em nós uma aprovação que as pessoas próximas não conseguem imprimir, talvez por não a ter alcançado ainda.
Afinal, sabemos que a continência, o apoio, pode vir de lugares inusitados, estranhos, e se firmar com pequenos gestos ou em poucas palavras de aprovação.
Desenvolver maneiras para que tudo se direcione positivamente é o nosso lema. Precisamos ter claro que não são as dificuldades que diminuem, que somem, sou eu que preciso construir recursos para me engrandecer e, assim, conseguir passar por dentro dos desafios impostos.
Seguimos em busca da base de segurança que nos foi apresentada, em algum momento da nossa vida, por alguém próximo, distante, e que continuamos a tentar resgatar...
Hoje, quem é teu porto seguro? De quem você segura na mão quando a vida está difícil? Ou, até, quem está registrado dentro de você com a força de “Vai, você consegue”, que te estimula a ir além?
Neusa Picolli Fante é psicóloga clínica especialista em lutos e perdas. É palestrante e escritora, autora de oito livros: três de psicologia, três de crônicas e dois de poesia.
Da mesma autora, leia outro texto AQUI