Caxias do Sul 29/06/2022

O social commerce surge como tendência após a pandemia

O uso de redes sociais visando ao incremento das vendas já é peça fundamental no “novo normal” do comércio mundial
Produzido por Mauricio Trezub , 25/08/2021 às 14:47:45
Foto: ARQUIVO PESSOAL

Com o avanço da vacinação em muitos países, as pessoas já começam a visualizar o futuro com mais otimismo e esperança, imaginando que em breve poderemos voltar às nossas rotinas 'normais' e sem medo. Mas, o que de fato será uma rotina normal?

Esse é um questionamento que tem sido muito pensado em uma escala não só pessoal, mas também por empresas e corporações. Voltaremos a trabalhar nos escritórios, juntos? Ou será que o nosso novo normal é a interação mais voltada para o mundo digital? A sociedade realmente acredita que, com todos os avanços tecnológicos e transformações digitais que ocorreram de maneira tão rápida e intensa, voltaremos ao que conhecemos como normal lá em 2019?

Nosso comportamento foi moldado e repensado, afetando a maneira que nos relacionamos com tudo: família, amigos, trabalho, saúde e, obviamente, consumo. Quando o consumidor se encontrou sem poder ir ao shopping ou às lojas para fazer compras, restou a eles a internet.

Muitas pessoas, mesmo as mais ariscas e receosas em relação a compras online, aderiram a esse método pelo simples fato de que não havia muitas outras opções. Segundo um relatório da NeoTrust, com R$ 35,2 bilhões em vendas entre janeiro e março de 2021, o e-commerce brasileiro registrou aumento de 72,2% na comparação com 2020, e que apenas em março tivemos o maior volume de vendas do comércio eletrônico no país.

Muitas marcas e empresas tiveram de modificar o seu posicionamento de maneira ágil, e muitas entraram para o mundo das vendas via plataformas sociais, como WhatsApp, Facebook, Instagram, e muito embora isso tenha ocorrido por conta de uma transformação digital, que foi acelerada por um cenário que não havia como prever, a utilização dessas redes vem se mostrando muito promissora. Essa prática é conhecida como social commerce, e seu conceito é bem simples: utilizar redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas para interações sociais voltadas para vendas.

O social commerce veio como uma evolução do e-commerce tradicional. Essa solução busca suprir uma necessidade de atendimento mais humanizado que não é encontrado em sites de vendas tradicionais. Poder conversar e tirar dúvidas diretamente com um representante de uma marca torna a experiência de comprar um produto ou serviço muito mais agradável. E não apenas isso: uma pesquisa realizada pelo Facebook, apontou que 70% das experiências de compras são afetadas pela forma como o consumidor sente que está sendo tratado, e que 68% dos clientes desistem de uma empresa por se sentirem negligenciados em um atendimento.

Esse é um mercado com um enorme potencial a ser explorado e, de acordo com a consultoria eMarketer, na China, onde o conceito é mais consolidado, as vendas sociais devem alcançar um faturamento total de US$ 351 bilhões neste ano, enquanto nos Estados Unidos esse valor pode chegar a US$ 36,62 bilhões.

No Brasil, ocupamos o terceiro lugar em usuários ativos no Facebook, com 111 milhões de brasileiros utilizando a rede social. O WhatsApp também tem um lugar expressivo nos celulares daqui: são 120 milhões de pessoas. Seja por meio do chat-commerce, ou da live commerce, que não é tão popular por aqui, mas já tem um apelo imenso em outros países, os usuários já absorveram essas utilidades no seu dia a dia.

Acredito que, mesmo com os avanços em relação à pandemia, não voltaremos para aquela vida de dois anos atrás. Muita coisa mudou e a tecnologia foi um dos setores mais revolucionários nesse sentido. O nosso novo normal será o trabalho híbrido ou em home office, assim como continuará comum aos consumidores procurarem canais de venda via mensagens e redes sociais para realizar suas compras. Minha aposta é que o social commerce veio para ficar!

Mauricio Trezub é um empresário brasileiro que ocupa o cargo de CEO da OmniChat. É formado em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Paraná e possui um MBA em Administração e Marketing.