Por muito tempo, escolher uma casa significou responder a três perguntas objetivas: onde fica, quanto custa e quanto espaço oferece. Esses critérios continuam importantes, mas já não explicam sozinhos o que buscamos quando escolhemos onde viver.
A casa contemporânea deixou de ser apenas abrigo. Tornou-se extensão do estilo de vida, do bem-estar e até da maneira como desejamos experimentar o tempo. Pesquisa nacional da Brain Inteligência Estratégica, realizada neste ano, revela que 78% dos consumidores consideram que empreendimentos orientados ao bem-estar influenciam positivamente na decisão de compra. Áreas verdes, iluminação, conforto acústico e espaços destinados ao cuidado ajudam a traduzir essa nova percepção de valor.
Também mudou o significado de localização. Mais do que proximidade, buscamos qualidade no entorno: segurança, infraestrutura, privacidade, tranquilidade e, cada vez mais, contato com a natureza. A arquitetura passa, assim, a desempenhar um papel que ultrapassa a estética. Luz, ventilação, materiais, paisagismo e relações entre os ambientes podem determinar como uma pessoa acorda, trabalha, convive, descansa e se reconecta consigo mesma.
Acredito ser este ponto o verdadeiro luxo contemporâneo, que começa a se revelar. Ele não está necessariamente na dimensão ou na quantidade de atributos, mas naquilo que o espaço proporciona: tempo, silêncio, privacidade, natureza e liberdade para viver.
Mais do que aproximar cidade e natureza, talvez o desafio inovador seja não precisar escolher entre elas. Ter centralidade sem abrir mão do refúgio. Ter convivência sem perder privacidade. Ter arquitetura sem que ela se sobreponha à vida.
Afinal, uma boa casa não deveria apenas ocupar um lugar na cidade. Deveria criar as condições para que a vida aconteça melhor.
Essa visão já começa a ganhar forma em ideias que saem das pranchetas e, em breve, se tornarão realidade: projetos com a proposta de lotes amplos, baixa ocupação e arquitetura autoral, estabelecendo uma relação mais generosa entre casa, paisagem e morador. A inspiração destes projetos na Serra Gaúcha aparece na materialidade, nas texturas e na integração com o clima e o bioma locais.
Luciano Castilhos é diretor-presidente da ANC Urbanizadora.