Uma nova frente de negócios borbulha no principal polo vitivinícola brasileiro, situado na Serra Gaúcha, com a estreia da Wine Free, negócio especializado na desalcoolização de vinhos e espumantes para vinícolas. O empreendimento recebeu investimento de R$ 7 milhões e nasce como uma alternativa para produtores que desejam atender à crescente demanda por bebidas sem álcool, desobrigando-se de adquirir e manter uma estrutura própria para efetuar o processo. A inauguração de espaço físico na Linha 80, em Flores da Cunha, ocorre sábado, dia 10 de outubro.
O projeto "espocou" no país a partir da identificação de uma tendência já consolidada em mercados europeus, sobretudo entre consumidores com restrições para o álcool ou que buscam um estilo de vida mais saudável. E desembarcou no Brasil por meio da Opportunity, companhia italiana que integra o quadro societário da Wine Free, ao lado de Leocir Luvison, Antonio Luvison, Ricardo Molardi e Roberto Balardin. O estabelecimento se define como pioneiro na comercialização do serviço em território nacional.

A Wine Free terá capacidade para desalcoolizar até 5 mil litros de vinho por dia. A procura pelo serviço já sinaliza o potencial desse novo mercado: pelo menos 20 vinícolas estão na fila de espera para iniciar as operações. Entre os clientes já confirmados estão a Vinícola Angelo Luvison e a Salton, enquanto empresas como Miolo, Valduga, São João, Aliança e Courmayeur estão entre as interessadas e em processo de prospecção.
Dessa forma, a Wine Free atua como uma iniciativa especializada que recebe o vinho ou espumante e realiza o processo de retirada do álcool, devolvendo à vinícola um produto pronto para sua cadeia de produção e comercialização.
Tecnologia preserva características da bebida
Um dos principais diferenciais do processo está na preservação das características sensoriais da bebida. A tecnologia permite retirar o álcool sem comprometer elementos como aromas, essência, estrutura e taninos presentes no vinho. A preservação só é possível graças a uma tecnologia que combina a separação por membranas de osmose e destilação de uma fração do produto composta de água vegetal e álcool. Por ocorrer em temperaturas abaixo de 40 °C, o método garante a integridade e a máxima preservação da essência do produto.
A proposta é oferecer ao consumidor uma experiência próxima à degustação do produto convencional, mas sem a ingestão de álcool. O resultado também se diferencia do suco de uva. O vinho desalcoolizado passa por todas as etapas tradicionais de elaboração do vinho antes do processo de retirada do álcool, mantendo características próprias da bebida e constituindo uma categoria distinta do suco ou até mesmo dos já conhecidos produtos zero álcool.
Conforme dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), o percentual de brasileiros que declararam não beber álcool saltou de 55%, em 2023, para 64%, em 2025. O cenário abre espaço para que vinícolas ampliem seus portfólios e alcancem consumidores que optam por reduzir ou eliminar a ingestão de álcool, sem abrir mão da experiência proporcionada pelo vinho.