Nascida em Farroupilha, na Serra Gaúcha, a Grendene hoje tem seus passos espalhados para o Nordeste brasileiro. A fabricante calçadista divulga seu desempenho no primeiro trimestre de 2026, com dados negativos, mas ressalvando que mantém "solidez financeira, liquidez elevada e disciplina de capital em cenário econômico desafiador".
Ou seja, a Grendene assegura permanecer atuando de maneira resiliente e disciplinada em 2026, diante da maior seletividade do consumo no mercado doméstico e de instabilidades geopolíticas na esfera internacional. No primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou receita líquida de R$ 533,8 milhões, retração de 5,3% em relação ao mesmo período do ano passado, apesar do crescimento de 1,6% no volume vendido, que totalizou 25,7 milhões de pares.
A receita bruta total somou R$ 682,9 milhões, redução de 3,2% sobre o primeiro trimestre do ano passado, e seu desempenho reflete a combinação entre maior volume e redução da receita bruta por par, que recuou 4,7% no trimestre, influenciada principalmente por mudanças de mix, com uma maior participação de Ipanema e menor participação de Melissa.
Produtos mais acessíveis
Como resultado da dinâmica operacional, que combinou retração de receitas, aumento de volumes e evolução dos custos dos produtos vendidos no período, especialmente do fator mão de obra, o EBIT (lucro antes de juros e impostos) atingiu R$ 41,6 milhões, com margem de 7,8%. No mercado doméstico, as linhas com posicionamento mais acessível e maior giro contribuíram positivamente para o desempenho de volumes comercializados, com destaque para Ipanema e para as categorias masculinas. No mercado internacional, houve retração especialmente nos embarques para mercados como Europa, Ásia e Oriente Médio.
Apesar do menor fluxo no varejo, que impactou o ritmo de vendas, a receita bruta da Melissa no trimestre apresentou avanço de 6,9% em relação ao mesmo período do ano passado, sustentada pela evolução de 11,5% no resultado por par e pelo crescimento das exportações, que compensaram a redução de 4,1% no volume, impactado principalmente pelo desempenho no mercado interno.
A saber: fundada em 1971, a Grendene é uma das maiores exportadoras de calçados do Brasil e uma das maiores produtoras mundiais. Detentora das marcas Melissa, Grendha, Zaxy, Rider, Cartago, Ipanema, Pega Forte e Grendene Kids, possui tecnologia exclusiva na produção de calçados para os públicos feminino, masculino e infantil. Com unidades industriais distribuídas no Ceará e no Rio Grande do Sul, tem capacidade instalada para produzir 250 milhões de pares/ano.