Caxias do Sul 20/04/2021

Marli Trentin anuncia fim das atividades da Casa do Comendador

Espaço de eventos, prestes a completar cinco anos, foi impactado pelas incertezas da pandemia
Produzido por Silvana Toazza, 30/03/2021 às 22:36:45
Marli Trentin anuncia fim das atividades da Casa do Comendador
Espaço abrigava eventos para 60 a 100 pessoas
Foto: Jordana Trentin

POR SILVANA TOAZZA

Há cinco anos à frente da Casa do Comendador, Marli Trentin anuncia para esta quarta-feira (31 de março) o fim das atividades de seu espaço caxiense para pequenos eventos, como formaturas, aniversários, chás de panela, confraternizações familiares e encontros de negócios.

“São ciclos da vida que se encerram. Eu tenho uma vida espetacular, sou abençoada”, despede-se Marli, que, antes de comandar o espaço, gerenciou por 25 anos uma reconhecida loja de presentes e artigos de luxo para casa, que levava seu nome.

A empresária, em entrevista exclusiva ao site, confirma que o grande impacto da pandemia no setor de eventos, que se arrasta ao longo de mais de um ano, foi determinante para a decisão de encerrar as atividades.

No currículo da Casa do Comendador, são 110 eventos já promovidos, mas em 2020 foram apenas três. Para contornar o cenário dramático que retirou totalmente os encontros sociais e empresariais da agenda, Marli conseguiu abono do aluguel junto à família Tondo, proprietária do ponto instalado na Rua Coronel Flores, 810, no Moinho da Estação, em São Pelegrino.

Mas, mesmo assim, precisou arcar com custos fixos, como condomínio, luz, água, entre outros valores despendidos, com faturamento zero da empresa. Sorte que não há funcionários, pois a Casa do Comendador trabalhava no formato de terceirização dos serviços.

“É um capítulo que se encerra. Não vou parar, pois sou formada em Relações Públicas, ajudei a criar esse setor na Randon, e estou me aprimorando com cursos para atuar em eventos, agências de viagem, turismo e enogastronomia. Outras portas se abrirão“, destaca a sempre ativa empresária.

Além da pandemia estar se arrastando por mais tempo do que o esperado e deixando o cenário de eventos ainda mais nebuloso, Marli Trentin diz ter muitas interrogações sobre o futuro:

“Faltam perspectivas. Como vai voltar? Quais as restrições? As pessoas serão as mesmas? Qual o comportamento? Ninguém pode prever nada, ninguém tem respostas”, declara.

O futuro do ponto

Ao ser questionada pela reportagem sobre qual o futuro da sobreloja do prédio que hoje abriga a Casa do Comendador, que também sediava bazares com expositores, Marli Trentin diz que, devido à qualidade de móveis, utensílios, cozinha e infraestrutura, está colocando o ponto à venda, ao lado da marca.

A estrutura é alugada, mas o projeto arquitetônico, a decoração e a dinâmica do negócio têm valor e contam com peças do acervo da empresária. Caso não consiga repassar o espaço, a solução será, então, o fechamento, mas com a certeza de ter amado trabalhar em eventos e do legado deixado para Caxias do Sul.

“Ninguém imagina quantas pessoas estão envolvidas na execução de um evento. É muita gente. Eu gostava do que eu fazia, mas preciso fechar esse capítulo. A vida é feita de ciclos, e a felicidade está justamente na sabedoria de vivê-los com muita intensidade”, filosofa Marli Trentin.