Caxias do Sul 20/04/2021

JOANIM PEPPERONI reúne suas obras em volume único

Polêmico e misterioso escritor serrano lança seu “Obra Reunida” com todos os 11 títulos já publicados
Produzido por Marcos Fernando Kirst, 05/10/2020 às 14:27:12
JOANIM PEPPERONI reúne suas obras em volume único
Foto: Vittorio Pancetta, Ph²O

MARCOS FERNANDO KIRST

O enigmático e polêmico (e divertido e satírico) escritor que atende (e assina seus livros) sob a alcunha (ou heterônimo, ou pseudônimo) de Joanim Pepperoni volta à cena literária regional efetuando mais um movimento que (ele espera) ganha as páginas da imprensa serrana.

Mesmo na pandemia, Pepperoni não se furta de lançar (ou arremessar, verbo que ele próprio prefere) novos títulos advindos de sua verve iconoclasta e criativa, tendo como foco (ou alvo) as gentes, os usos e costumes que habitam e compõem a “Terra da Cocanha”. Dessa forma, ele vem abatumando um paiol já de 11 obras publicadas desde a estreia, em 2013, com “A Fantástica Máquina de Ensacar Berros”.

Agora, Pepperoni resolveu reunir em um só volume todos os seus títulos já publicados, permitindo assim aos leitores conhecerem de um só trago sua produção repleta de poemas, paródias, “rimances” e peças teatrais. “Obra Reunida” é sua mais nova ação literária, disponível para aquisição pelo site do Clube de Autores, que permite a publicação direta das obras dos escritores via online ou na opção de impressão sob demanda. O volume custa R$ 61,56 e a encomenda é entregue por correio, na casa do cliente (acesse AQUI)

(Crédito da foto: Vittorio Pancetta, Ph²O)

Com seu humor ferino e inconfundível, o autor afirma pretender “ingressar no lado raramente visível da cultura cocanhesa, com o objetivo de lhe lançar alguma luz”. Em suas obras, “toda ficção tem ares de realidade – ou melhor, toda realidade tem ares de ficção”.

Para o site, Joanim Pepperoni concedeu a entrevista exclusiva a seguir:

O que o motivou a compilar todas as suas 11 obras já lançadas e reuni-las em um só volume?

Tive vários motivos para essa iniciativa... Primeiro, porque temia que alguma das minhas obras se desgarrasse do conjunto e se desencaminhasse. Segundo, porque só quem tem mais de um livro publicado pode reuni-los em um único volume. Terceiro, porque os estudiosos do cânone literário preferem manusear livros volumosos que lhes concedem aquele ar de circunspecção e sabedoria.

“Obra Reunida” afirma oferecer ao leitor os livros de sua autoria lançados de 2013 (o primeiro) até 2023. Significa que não pretende lançar mais nada nos próximos três anos? Ou estás vivendo em um tempo paralelo?

Li em algum lugar que os grandes autores produzem obras para o futuro. Por isso, inicialmente, pensei em colocar, por exemplo, 2020-2200, mas voltei atrás quando me dei conta que o coronga e a burrice podem exterminar, em breve, o que ainda resta da Humanidade.

Lançaste um livro virtual em plena pandemia, poucos meses atrás. Como foi a experiência? Qual a repercussão?

Na verdade, arremessei seis livros novos em formato e-boog durante a pandemia e vocês nem perceberam. São os seguintes: Nane Cainha & Nane Hábil (rimance épico, 2020); Tragédia no palco (comédia, 2020); Chapeuzinho de Palha (conto infantil, 2020); Nane Tamanca & os quarenta empreendedores (novela, 2020); Rapa da panela (poesia, 2020); e Joanim e a lamparina de querosene (novela, 2020). Tendo em vista que as minhas obras são um legado para o futuro (se o futuro sobreviver, obviamente), a repercussão ainda está por acontecer. Eu já disse em um Pensameme nas redes sociais, há algum tempo, que é melhor não ser lido, do que ser mal lido. Já imaginou uma obra, como a minha, cair na boca de algum crítico que ainda não saiu das trilogias de vampiro?

O que há de novo no ambiente literário/cultural da Terra da Cocanha?

Além da minha Obra Reunida, há pouca coisa digna de tinta e papel na Terra da Cocanha. O mais do mesmo me entedia muito... A Feira do Livro está a cada ano mais incipiente. As editoras locais já afundaram ou perderam o norte. A crítica se ajoelhou à troca de elogios entre amigos. E a maioria dos escritores está presa a algumas circunstâncias do nosso tempo, ou seja, enganchada em modismos temáticos.

O que o motiva a escrever?

Todo dia tenho uma motivação diferente para escrever. Ontem, foi o amor à literatura; hoje, é a vontade de entortar o mundo; e amanhã será outro dia...

Quem é você? Quem é o prefacista de sua antologia? Por que os pseudônimos (ou heterônimos?)?

Ué, eu sou o Joanim Pepperoni, PhD, cientista e escritor... Já o orelhista e o contracapista da antologia são o famoso crítico literário Argentus Funestus, do vizinho País dos Tolos, e Christophoro Capeletti, um dos mais exímios mentirosos que já conheci. Quanto ao uso de pseudônimos, penso que são úteis para fugir das bajulações e dos fuxicos da vizinhança. Porém, não dão a merecida glória pública ao seu ortônimo.

Quais suas influências literárias?

Toda a boa literatura que já li me constitui literariamente – desde Homero, até Messias Botnaro. Então, se você ler com atenção as minhas obras, vai encontrar os meus interlocutores. Eu nunca estou sozinho dentro dos meus livros.

Quais seus próximos projetos literários?

Eu sempre trabalho em vários projetos ao mesmo tempo, para não me entediar. No momento, estou escrevendo "As profecias de Joanim Pepperoni", "Os três porcellini" e "2075: uma odisseia na Terra da Cocanha". Além disso, estou burilando uma peça teatral (ainda sem título) em que os patriarcas das letras cocanhesas, Dão Porcinato e Dão Paviânico, devem escolher os seus sucessores.