Caxias do Sul 28/09/2021

De uma terra inóspita a duas safras anuais de uva

Miolo comemora 20 anos de investimento e 200 hectares de vinhedos no Vale do São Francisco, no Sertão: “Fomos teimosos, assim como este terroir”
Produzido por redação, 21/05/2021 às 14:31:35
De uma terra inóspita a duas safras anuais de uva
Praticamente no ano todo, todos os dias, há fruta a ser retirada dos parreirais
Foto: Divulgação Miolo

Aquilo que se anunciava como o grande desafio também transformou-se na maior oportunidade. Foi assim, há 20 anos, quando uma vinícola da Serra Gaúcha ousou produzir vinho no sertão brasileiro. No Vale do São Francisco, o clima é seco e com solo árido, impossível para cultivar uvas. O que fazer? Investir em conhecimento em enologia e em tecnologia da irrigação, pelo sistema de gotejamento com as águas do Rio São Francisco. Foi o que fez de forma estratégica a Miolo Wine Group e permitiu que colhesse não uma, mas duas safras de uva no ano (sim!). Praticamente no ano todo, todos os dias, há fruta a ser retirada dos parreirais.

“Fomos teimosos, assim como este terroir”, celebra o diretor-superintendente da Miolo, Adriano Miolo, ao brindar 20 anos desta ousadia (ou teimosia?).

Foi em 2001 que a Vinícola Miolo resolveu investir na Terranova, marca que designa seu cultivo e sua vinícola em Casa Nova, na Bahia. Carregou na bagagem a mesma esperança que o imigrante Giuseppe Miolo, bisavô de Adriano Miolo, trouxe da Itália em 1897, que ao plantar as primeiras mudas de uvas deu origem ao emblemático vinho Lote 43, no Vale dos Vinhedos.

Nesses 20 anos no sertão brasileiro, a marca Terranova germinou e hoje é sinônimo de vida, fruto da perfeita união entre a tradição Miolo e o terroir do Vale do São Francisco. Fortalecidos pelo Velho Chico, apelido carinhoso dado ao Rio São Francisco, os vinhedos colorem e perfumam o ambiente que já foi sertão, garantindo oportunidades de trabalho a muitas famílias.

“Nos vinhedos que cultivamos na Bahia, colhemos não apenas uvas, mas a força de famílias que vivem cada safra vislumbrando um futuro melhor. Assim, compartilhamos a cultura do vinho, suas histórias e valores que vão muito além da taça. E é justamente esta cultura que brindamos com cada pessoa que abre uma garrafa Terranova”, celebra Adriano Miolo.

Os vinhedos da Miolo ganharam raízes a partir de 2001, ano em que também começou a construção da vinícola, com projeto concluído em 2008 (foto acima). O primeiro vinho elaborado na região foi o Terranova Shiraz. A partir daí, a produção de espumantes foi intensificada, sobretudo com o Terranova Moscatel, espumante mais vendido da marca. De lá para cá, a empresa alcançou 200 hectares plantados e uma indústria que transforma a uva em vinhos, espumantes, suco de uva e destilados, chegando a uma produção de 4,5 milhões de litros por ano.

É lá que brota também o varietal Testardi Syrah, o ícone do grupo no Nordeste, um dos Sete Lendários, que traz a máxima expressão da variedade em terras brasileiras. O nome é um termo italiano que significa "teimoso" e remete à obstinação e à persistência. Com ele, o grupo confirma que é possível cultivar uvas e elaborar um grande vinho nesta região considerada inóspita. Os vinhos que nascem desses vinhedos expressam um mundo particular e ao mesmo tempo tão diverso, que é o nordeste brasileiro. Desta unidade, são elaborados todos os rótulos Terranova, além de alguns das marcas Miolo e Almadén.

O turismo ganha força com o roteiro enoturístico Vapor do Vinho. O tour parte de Juazeiro e durante 2h30min o barco vai parando em pontos turísticos. A degustação a bordo é regada a vinhos e espumantes Terranova, que harmonizam com comidas típicas da região. Ao chegar na vinícola, os visitantes encontram vinhedos em meio ao semi-árido e uma estrutura composta por uma cantina, cave subterrânea, engarrafamento, destilaria, sala de degustação e varejo.

Miolo na Bahia

Capacidade anual de produção: 4,5 milhões de litros (2,5 milhões de litros para espumantes e vinhos e 2 milhões de litros para destilar)

Vinhedos: 200 hectares

Variedades:

Brancas - Moscato Itália, Chenin Blanc, Verdejo, Sauvignon Blanc

Tintas - Shiraz, Cabernet Sauvignon, Grenache, Mourvedre e Tempranillo

Turismo: mais de 50 mil visitantes ano

Colheita mecanizada e manual