Caxias do Sul 30/10/2020

“A coragem digital será o maior legado da Covid-19”, diz executivo de operadora de telefonia

Diretor comercial da TIM para a Região Sul avalia o cenário tecnológico, anuncia novas lojas para Caxias do Sul e Farroupilha e a chegada do 5G à Serra
Produzido por Silvana Toazza, 28/09/2020 às 09:00:22
“A coragem digital será o maior legado da Covid-19”, diz executivo de operadora de telefonia
Christian Krieger é diretor comercial da TIM para a região sul
Foto: Divulgação TIM

A crise da Covid-19 acelerou o processo tecnológico e instigou empresários a darem a volta de chave para um momento de comunicação mais rápida, assertiva e não menos desafiadora.

Nessa entrevista exclusiva para o site, à seção “Conversa Afiada”, Christian Krieger, diretor comercial da TIM para a Região Sul, fala sobre a expansão veloz deste setor e de novos investimentos da operadora para a Serra Gaúcha.

Entre as novidades, o executivo anuncia a reabertura da terceira loja da TIM em Caxias do Sul, agora em outubro, a instalação de uma revenda em Farroupilha e a chegada da tecnologia 5G à Serra Gaúcha. Confira a entrevista:

De que forma a crise da Covid-19 impactou nos negócios da TIM?
A pandemia, sem dúvida, impacta todos os setores. No caso da TIM, temos conseguido nos manter resilientes e estamos entregando resultados sólidos. O legado da pandemia será a mudança das relações pessoais, de trabalho e estudo. A Covid-19 acelerou ainda mais a transformação digital que já vínhamos estudando e as telecomunicações terão papel crucial nesse novo mundo, para todas as pessoas. Experimentamos, com o distanciamento social para enfrentar a Covid-19, a evolução de um modelo de trabalho que, provavelmente, chegaria apenas em alguns anos. Nos faltava a “coragem digital”. O que aconteceu nos obrigou, da noite para o dia, a mudar a forma de trabalhar e de nos relacionar com colaboradores e clientes. E não era uma questão tecnológica, pois tudo está funcionando. Era um problema do nosso medo de dar esse passo. E isso não aconteceu apenas com a TIM.

A tecnologia aproximou as pessoas e o mundo corporativo?
Com o isolamento, a conectividade reduziu as distâncias e as pessoas reconheceram a importância das telecomunicações na crise. Prova disso é a redução de 15,6% do nosso índice de inadimplência, no comparativo anual. A pandemia também incentivou os clientes TIM a migrarem para serviços digitais, como fatura online e uso de aplicativo, conforme nos apontam os dados do balanço do segundo trimestre da operadora. No lado oposto, o atendimento humano e o recebimento de conta em papel tiveram redução.

Houve mudança de comportamento do consumidor?
O levantamento da TIM mostra que nos meses de abril, maio e junho foi registrado aumento de 13% na adesão à fatura digital, em comparação ao mesmo período do ano passado. O número de clientes das bases controle e pós-pago que aboliram o papel e optaram pela comodidade da conta online já chega a 70%. O total de usuários únicos que passaram a usar o aplicativo de autoatendimento Meu TIM também apresentou aumento, de 10%. Já os pagamentos das faturas por meios digitais (internet banking, aplicativos ou cartão de crédito) cresceram 23%, comparado ao segundo trimestre de 2019. Desta forma, 73% dos clientes com conta pagam seus boletos por meios digitais. Na contramão do crescimento da digitalização, houve queda de 44% no número de atendimentos humanos registrados no SAC, o que mostra que as pessoas mudaram seus hábitos depois da pandemia.

O setor esteve no epicentro desse processo?
Sim, o setor de telecomunicações foi e tem sido o sistema nervoso dessa crise, conectando as pessoas, as instituições e as empresas. Estamos fazendo a nossa parte para garantir que a sociedade passe por esse momento de crise da melhor forma possível.

Qual a fatia de mercado hoje da operadora na região sul? E a estrutura em termos de funcionários?
A TIM é líder no Sul, com 38,6% do mercado na região. Em todo o Brasil, são 7,5 mil funcionários.

O que representam o RS e a Serra Gaúcha para a empresa? Há algum investimento previsto para a região, incluindo Caxias do Sul?
Atualmente, a operadora possui duas lojas próprias em Caxias do Sul, no centro e Shopping Iguatemi. Uma terceira loja – Revenda TIM - está prevista para reabrir na Avenida Júlio de Castilhos, no início de outubro de 2020, comandada por um empresário da cidade, que também é proprietário da loja da TIM em Bento Gonçalves. Para o atendimento na região, a operadora também deve abrir em breve uma revenda em Farroupilha e já inaugurou outro ponto de venda em Flores da Cunha. Como parte do plano de expansão regional, a TIM também tem ampliado seu portfólio para o segmento de pequenas e médias empresas e buscado novos parceiros comerciais para atuar no segmento B2B (business to business). As oportunidades são para parceiros TBP (TIM Business Partner) com perfil empreendedor e com experiência em vendas. Buscamos empreendedores ousados, capacitados e com boa força de vendas. Além de uma marca altamente consolidada, a TIM oferece uma política de remuneração agressiva e todo o know-how necessário para o desenvolvimento do negócio.

Há investimentos em cobertura para a Serra?
A atenção à região ainda inclui investimentos em infraestrutura de rede, não apenas para ampliar a cobertura já existente, mas também para garantir que os consumidores possam usufruir, de fato, da nossa rede de quarta geração e os benefícios que ela pode oferecer, como maior velocidade de navegação, disponibilidade de sinal e ligações de alta definição por meio do VoLTE (voz sobre a rede 4G). Entre as ações em andamento está o reforço da rede em Bento Gonçalves, em que a operadora deve lançar o 5G em breve. Outras 11 ações de melhoria estão previstas na região até o final do ano, como nas cidades de Caxias do Sul, Garibaldi, além de novas ampliações em Bento Gonçalves.

Qual a presença no Rio Grande do Sul?
Num cenário estadual, a TIM já está presente em 261 cidades com a cobertura 4G. Até 2023, a operadora quer ser a primeira a conectar todos os municípios brasileiros com a rede de quarta geração. A TIM já é líder na cobertura 4G no país, com 3.517 cidades. Em todo o Rio Grande do Sul, a operadora também está ampliando a cobertura em 700 MHz, já presente em 170 cidades, sendo 38 apenas dos municípios do DDD 54.

E em Caxias do Sul e Bento Gonçalves?
Segundo dados da Anatel, a TIM é uma das líderes em números de antenas 4G em Caxias do Sul, num total de 65, com maior evolução de cobertura 3G para 4G. Em Bento Gonçalves, a operadora é líder absoluta em número de antenas 4G, com 25 no total.

Qual o filão que mais está crescendo? O que o público pode esperar em termos de novidades tecnológicas?
É importante ressaltar que – para qualquer setor - uma crise como essa que o mundo está passando muda todas as certezas que temos e vira as tendências de cabeça para baixo. Após a pandemia, o mundo será mais digital, principalmente em um país com as dimensões continentais do Brasil. Nesse cenário, a chegada do 5G será importante para viabilizar coisas necessárias como avanço da educação a distância, telemedicina, novas carreiras, automação de indústrias, etc. Essa tecnologia, sem dúvida, trará novas tendências e será uma grande revolução. É algo que já vínhamos falando muito antes da pandemia e que agora pode ter se tornado ainda mais evidente. O 5G será o impulsionador dessa revolução tecnológica que pode aprimorar o sistema econômico e gerar novos modelos de negócios para diversos setores.
O leilão do 5G, realizado pela Anatel, está previsto para o próximo ano. Em breve, a operadora lançará o 5G em três cidades brasileiras utilizando a técnica DSS (dynamic spectrum sharing) que aproveita a agregação de frequências do espectro atual (4G) para chegar à velocidade do 5G. Muitas inovações já estão disponíveis para nossos clientes. Investimos na rede 4G, especialmente na frequência pública de 700MHz, sendo a mesma utilizada nas principais cidades do país e compatível com os principais dispositivos móveis do mercado, tais como smartphones, tablets e modems.
Adicionalmente, esta tecnologia possibilita a conexão de dispositivos IoT através de uma rede NB-IoT, sendo de longo alcance e de baixo consumo de energia. Também já temos a maior rede de Internet das Coisas do Brasil: mais de 3.300 cidades com a tecnologia NB-IOT (Narrow Band em IoT), conectando máquinas e pessoas para apoiar a transformação e inclusão digital no campo.

Detalhe melhor a tecnologia 5G?
A TIM foi líder na implantação do 5G no país com a criação de laboratórios para estudo da nova tecnologia no ano passado. Recentemente, a operadora anunciou o lançamento do 5G em três cidades - Bento Gonçalves/RS, Itajubá/MG, Três Lagoas/MS- já com a rede comercial de quinta geração. A companhia vai utilizar a técnica DSS (dynamic spectrum sharing) nas três cidades com os fornecedores Ericsson, Huawei e Nokia, que aproveita a agregação de frequências do espectro atual (4G) para chegar à velocidade do 5G. Além disso, utilizará a tecnologia FWA (Acesso sem Fio) para disponibilizar banda larga fixa em cima da rede móvel, otimizando infraestrutura já existente no 4G para oferecer a nova tecnologia. Em breve, a TIM anunciará mais detalhes.

Quais as estratégias para driblar a concorrência e a redução de receita das famílias?
Sempre buscamos oportunidades para consolidar o seu posicionamento de inovação. Por esse motivo, a TIM recentemente apostou na parceria com o C6 Bank, que marcou a entrada da operadora no segmento financeiro de uma forma inédita no Brasil. A parceria consolida o posicionamento inovador da nossa marca, além de fidelizar as bases e atrair novos interessados em busca de vantagens e serviços integrados das duas empresas, que acompanham atentamente a transformação do setor bancário no Brasil, como novas formas de pagamento e transações, para entregarem – em breve – facilidades que demonstrem uma total sinergia de telecomunicações e serviços financeiros. O Brasil é um país com baixo índice de bancarização. São 45 milhões de desbancarizados. Com certeza, muita gente que não tem uma conta bancária tem um celular e faz recargas de crédito. Na prática, o celular pode virar um cartão de débito, um cartão pré-pago. Assim, o dinheiro físico se transforma em dinheiro virtual e o cliente pode usar o seu celular para comprar serviços, igual ao que faz com um cartão.

De que forma as novas tecnologias desafiam a empresa?
O cenário é sim desafiador. Mas há muitas oportunidades. A coragem digital será o maior legado da Covid-19 a todas as empresas. Trata-se da capacidade de enfrentarmos os receios em fazer uso de ferramentas digitais que a tecnologia já oferece, mas que víamos como soluções menos eficazes. Essa crise trouxe a oportunidade de inovar rapidamente e garantir o atendimento aos clientes e a continuidade dos negócios. No caso da TIM, os empresários que comandam nossas revendas, por exemplo, tiveram de inovar e adotar medidas emergenciais para o negócio não parar diante dessa nova realidade. Adotaram ações que ampliaram as vendas online, criaram o gerente digital, além de implantar o sistema de drive thru.