Caxias do Sul 29/05/2026

Transição energética e os próximos passos da mobilidade coletiva

A descarbonização do transporte coletivo será decisiva para que os países avancem em suas metas ambientais
Produzido por João Paulo Ledur, 29/05/2026 às 08:35:25
João Paulo Ledur é Diretor de Estratégia e Transformação Digital da Marcopolo
Foto: Divulgação/Marcopolo

Seis meses após a COP30, realizada no Brasil, a agenda climática segue ocupando posição central nas discussões sobre o futuro das cidades e da mobilidade. Mais do que um marco diplomático, a conferência reforçou um consenso importante: a descarbonização do transporte coletivo será decisiva para que os países avancem em suas metas ambientais e construam sistemas urbanos mais eficientes e sustentáveis.

Nesse contexto, o transporte público assume papel estratégico. Além de ser uma das formas mais eficientes de deslocar grandes volumes de pessoas, o modal coletivo contribui diretamente para a redução das emissões, a melhoria da qualidade do ar e a diminuição dos congestionamentos urbanos.

Ao mesmo tempo, a transição energética exige soluções compatíveis com as diferentes realidades operacionais, econômicas e energéticas de cada país. No Brasil, essa discussão ganha ainda mais relevância devido à diversidade da matriz energética nacional, que reúne alternativas como eletrificação, etanol, biometano, gás natural e, futuramente, hidrogênio verde.

Por isso, acreditamos que a transição energética no transporte coletivo não será construída a partir de uma única tecnologia. Trata-se de um processo multienergia, capaz de integrar diferentes soluções de acordo com as características de cada operação, a infraestrutura disponível e as necessidades locais.

Nos últimos anos, a indústria brasileira avançou de forma significativa no desenvolvimento de soluções sustentáveis para a mobilidade. Hoje, já existem no país veículos elétricos, híbridos e movidos a biocombustíveis operando em diferentes sistemas de transporte coletivo, ampliando as possibilidades de descarbonização sem abrir mão da eficiência operacional.

Um exemplo desse movimento é o Attivi Integral, primeiro ônibus 100% elétrico desenvolvido integralmente no Brasil, com chassi e carroceria concebidos pela Marcopolo. O projeto representa um importante avanço tecnológico e demonstra a capacidade da engenharia nacional em criar soluções alinhadas às demandas globais de mobilidade sustentável.

Ao mesmo tempo, novas alternativas vêm ampliando o alcance da transição energética. O desenvolvimento de soluções híbridas elétrico/etanol reforça o potencial brasileiro de integrar biocombustíveis à mobilidade de baixo carbono. Essa tecnologia amplia a autonomia operacional e reduz a dependência de infraestrutura de recarga, tornando a adoção mais acessível para diferentes cidades e operadores.

Outras soluções, como veículos movidos a biometano e gás natural, também reforçam a importância de uma estratégia energética plural, especialmente em um país com dimensões continentais e diferentes níveis de infraestrutura.

A COP30 também deixou como legado uma visão mais ampla sobre mobilidade sustentável, que envolve integração modal, eficiência energética, acessibilidade, conectividade e melhoria da experiência dos passageiros. O Brasil reúne condições únicas para liderar esse processo, combinando matriz energética diversificada, capacidade industrial, engenharia competitiva e desenvolvimento tecnológico para construir soluções de mobilidade de baixo carbono alinhadas às necessidades das cidades e das próximas décadas.

João Paulo Ledur é Diretor de Estratégia e Transformação Digital da Marcopolo.

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