A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano reforça um movimento acompanhado de perto pelo mercado financeiro: a política monetária começa a produzir os efeitos esperados sobre a inflação, embora o cenário ainda permaneça desafiador.
No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central destacou que a atividade econômica brasileira apresenta uma moderação gradual, embora ainda resiliente, com mercado de trabalho aquecido e sinais mistos entre os diferentes setores da economia. Ao mesmo tempo, a inflação cheia voltou a desacelerar, mas permanece acima do limite superior da meta, enquanto os núcleos de inflação mostram um comportamento mais favorável.
As projeções do mercado seguem essa mesma direção. Segundo o Boletim Focus, a estimativa para o IPCA de 2026 vem recuando nas últimas semanas, passando de 5,30% para 5,03%. Apesar dessa melhora, as expectativas ainda permanecem acima da meta do Banco Central, o que justifica a manutenção de uma condução cautelosa da política monetária.
O cenário internacional também reforça essa necessidade de cautela. O Banco Central destaca que as incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio, à condução da política monetária nas economias avançadas e à volatilidade dos preços das commodities continuam representando riscos para a inflação e para os mercados financeiros.
Nesse contexto, a redução da Selic representa um sinal positivo, mas não indica uma mudança brusca de cenário. O próprio Copom reforça que os próximos passos dependerão da evolução dos indicadores econômicos e da convergência da inflação para a meta.
O momento, portanto, continua exigindo serenidade e planejamento. Mais do que acompanhar a redução da Selic, será fundamental observar a evolução da inflação e dos indicadores econômicos, que definirão o ritmo dos próximos movimentos da política monetária e seus impactos sobre o crédito, os investimentos e a atividade econômica.
Vanessa Onzi é economista da Unicred Integração.