Caxias do Sul 30/10/2020

Diversão é o outro nome de 'ENOLA HOLMES'

Filme da Netflix com Millie Bobby Brown figura no ranking do Rotten Tomatoes com 91% de aprovação
Produzido por Eulália Isabel Coelho, 11/10/2020 às 09:59:12
Foto: LUIZ CARLOS ERBES

Por Eulália Isabel Coelho

Uma garota muito graciosa, espertinha e falante se inventa detetive durante o período final da Era Vitoriana (1837-1901). Conhecê-la é divertir-se descompromissadamente. Em meio à pandemia, já estava na hora de um acontecimento assim. Ainda mais com uma personagem tão motivada e cativante.

Enola Holmes (2020) é um filme despretensioso que induz a um certo bem-estar. Ainda que o público-alvo seja o infanto-juvenil, a obra agrada também adultos que se encantam com a irreverente caçula da família Holmes. No site Rotten Tomatoes, que agrega críticas de diversas publicações para chegar a uma porcentagem final, o longa tem 91% de aprovação.

Enola (Millie Bobby Brown) é irmã do famosíssimo Sherlock (Henry Cavill), que nessa história é coadjuvante, assim como o outro irmão, o rabugento Mycroft (Sam Caflin). A mãe do trio é a despojada Eudoria Holmes (Helena Bonham Carter), que dá lições de independência e autoconfiança à filha ao estimulá-la a ser curiosa, a agir e pensar de modo autêntico. É bom lembrar que, àquela época, esses eram “atributos” masculinos.

A obra é baseada no primeiro livro da série literária “Os Mistérios de Enola Holmes” (2006), da escritora norte-americana Nancy Springer, fruto de sua inspiração em torno das criações de Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930). A personagem surge em “O Caso do Marquês Desaparecido”, objeto do filme. Portanto, ela nunca existiu nos livros do criador de Sherlock. O irmão dele, Mycroft, apareceu em apenas duas ou três histórias de Doyle.


Dirigido por Harry Bradbeer, um dos responsáveis pelo sucesso da série Fleabag, o filme é uma boa sessão da tarde, com uma heroína versátil e empática. Não tem como não gostar de Enola, embora o excesso de didatismo incomode.

O rompimento ou quebra da “quarta parede”, quando o personagem faz contato visual com o espectador, fala com este e explica-lhe determinadas situações, cansa um pouco. Pense em Enola levando você pela mão quase o tempo todo. De qualquer modo, o ritmo é bom e constante, com trilha sonora inspiradora de Daniel Pemberton, que assina também as composições de Aves de Rapina (2020).

Enola e a mãe, Eudoria, muitas lições

Sherlock, Mycroft e a adorável caçula

O roteiro de Jack Thorne (Extraordinário e O Jardim Secreto) oferece a Millie Bobby Brown a oportunidade de mostrar o quanto é talentosa. Para além da Eleven, da série Stranger Things, fica claro que a atriz é inventiva e cria personalidades marcantes para seus personagens. Quando está em cena, domina a tela e queremos mais de Enola e mais de Millie. Chegamos mesmo a confundi-las por admiração.

Um dos aspectos notáveis na obra é a relutância da protagonista em tornar-se apresentável e aceitável perante a sociedade, como quer o irmão Mycroft. Ele decide o destino dela: um colégio interno, depois do desaparecimento de Eudoria. Mas Enola é consciente do que quer e decide seguir seu próprio caminho com o objetivo de descobrir o paradeiro da mãe que lhe deixou pequenas pistas. E muitos ensinamentos: “Você pode seguir dois caminhos, Enola. O seu ou o que escolherem pra você”.

A jovem detetive disfarçada de viúva

Ela precisa se encaixar nos padrões

A jornada da detetive estreante está atrelada a outros acontecimentos que movimentam a trama. O Marquês Tewkesbury (Louis Partridge), um jovem que Enola conhece no trem quando foge para Londres, é motivo de mudanças em seus planos. O inesperado faz parte desse percurso, que é também rito de passagem.

Enola ajuda o Marquês Tewkesbury

Perigos rondam os caminhos da heroína

O enredo é simples, mas funciona. E há todo um aspecto envolvendo a emancipação feminina, sufrágio universal e outros temas relevantes que permeiam a história. Após assistir, ficamos certos de que outras aventuras da personagem virão, já que a autora, Nancy Springer, tem seis livros da série Enola já publicados, o último em 2010.

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FICHA TÉCNICA

Enola Holmes

(Reino Unido, 2020)


Direção: Harry Bradbeer
Roteiro: Jack Thorne
Elenco: Millie Bobby Brown, Henry Cavill, Sam Claflin, Helena Bonham Carter, Louis Partridge, Adeel Akhtar, Fiona Shaw, Frances de la Tour, Susie Wokoma, Burn Gorman, David Bamber, Hattie Morahan
Duração:123 min.

DE OLHO NO SET

Todo o sucesso de Millie Bobby Brown é resultado de muito esforço. A atriz, rejeitada em testes de elenco, inclusive para Game of Thrones, pensou em desistir da carreira.

Escolhida para Stranger Things, ela viu seu sonho se realizar e, ao que parece, com Enola ela garantiu seu lugar de destaque na Sétima Arte.

A Netflix está sendo processada pelos descendentes de Conan Doyle por utilizar Sherlock em fase mais humana e emocional, cujos direitos pertencem à sociedade dirigida pelos herdeiros.

Por acordo ajuizado, apenas a primeira fase, em que o personagem é mais cerebral e sem sentimentos, é de domínio público.

Créditos das fotos: Divulgação Netflix

Eulália Isabel Coelho é jornalista, professora de cinema e escritora

mail bibacoelho10@gmail.com

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