Caxias do Sul 06/07/2020

Bandeira vermelha: lideranças de Bento Gonçalves reagem com indignação e repúdio

CIC e CDL contestam dados e se articulam com lideranças municipais e estaduais para reverter determinação
Produzido por redação, 14/06/2020 às 21:12:57
Bandeira vermelha: lideranças de Bento Gonçalves reagem com indignação e repúdio
Rogério Capoani, presidente do CIC-BG, diz que a decisão é inadimissível
Foto: Augusto Tomasi

Foi com um misto de indignação e repúdio que o Centro da Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Bento Gonçalves recebeu a mudança de bandeira laranja para vermelha no modelo de distanciamento controlado do governo do Estado.

O cenário de alto risco de contágio e diminuição da oferta de leitos impõe severas restrições à Serra, com a volta do fechamento de lojas, shoppings, academias, entre outros, além da diminuição da capacidade dos setores produtivos, a partir desta segunda-feira (15). O anúncio, na noite de sábado (13), foi recebido com inconformismo pelo setor empresarial da terra do vinho fino.

“No nosso entendimento, a decisão tomada é inadmissível, inconcebível. Não podemos aceitar ou permitir que isso aconteça”, declarou o presidente do CIC-BG, Rogério Capoani.

Para o empresário, a medida trará perdas significativas, encaminhando a região para um cenário irreversível em um futuro muito próximo.

“Com muito esforço e dificuldade, as empresas vinham começando, timidamente, a se restabelecer em suas atividades. Uma regressão, agora, será fatal e poderá concretizar aquele que tem sido, desde o início, nosso maior temor: o caos social”, enfatiza.

Para contrapor “enfática e veementemente” a decisão tomada pelo governo do RS, o CIC-BG está articulando contatos envolvendo entidades do município e de cidades vizinhas, além da Assembleia Legislativa do Estado e do poder Legislativo local. Há, também, contatos em andamento com o prefeito de Bento Gonçalves, Guilherme Pasin, externando a discordância e repassando informações que subsidiam o posicionamento contrário adotado pela entidade.

Números embasam posicionamento

A partir de dados monitorados há mais de 60 dias sobre a evolução da Covid-19 em Bento Gonçalves, o CIC-BG contesta os elementos técnicos e científicos utilizados pelo governo do Estado para enquadrar o município na bandeira vermelha. Conforme dados atualizados no dia 12 de junho, Bento Gonçalves está com cenário 25% abaixo do pior cenário estimado, mostra estudo coordenado pela entidade.

As informações repassadas à imprensa mostram que, a partir de 29 de maio, o número de casos efetivos começou a cair, mantendo-se abaixo de 150. O surgimento de novos casos, desde 19 de maio, tem sido linear, o que permite identificar a estabilidade do cenário e prever que o município pode apresentar até 13 novos casos diários, em média, e um efetivo médio de 130 pacientes.

“Se a cidade mantiver o número de efetivos abaixo de 150, isso não compromete a estrutura hospitalar e a capacidade de atendimento, tanto de leitos quanto de respiradores. Já era um cenário previsto e a rede de saúde está pronta para isso”, declara Capoani.

O estudo indica ainda que, desde o início da pandemia, o município manteve, em média, a seguinte necessidade hospitalar: 77% dos efetivos em tratamento domiciliar; 11% de ocupação de leitos hospitalares e 10% de pacientes na UTI. Dados do dia 12 de junho indicam a disponibilidade de, pelo menos, 30% dos leitos de UTI na rede pública e mais de 50% na privada. A segurança quanto à capacidade de atendimento encontra apoio em outro dado: a cada dez infectados, dois precisam de atendimento hospitalar, mas não necessariamente de respirador – e a cidade tem, para cada 10 pacientes positivos, nove respiradores disponíveis.

Somado a esses indicadores, a pesquisa traz um dado apontado como o mais impactante: por três semanas consecutivas, o número de curados ultrapassa o número de novos casos. Esse é um indicativo de que a pandemia está controlada.

“Os números mostram, portanto, uma situação sob controle. Isso não significa que devamos abrir mão dos cuidados, das medidas protetivas e do compromisso com o retorno responsável, mas certamente justificam que não devemos estar em situação de bandeira vermelha”, explica Capoani.

CDL-BG também reage contra classificação

Fazendo coro ao CIC-BG, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Bento Gonçalves também assumiu posicionamento de repúdio e contrariedade à decisão do governo do Estado de designar 'bandeira vermelha' à cidade.

"Entendemos que a troca de bandeira é injusta, decorrente de uma mudança de regras nos critérios de avaliação e que penaliza de forma indevida o comércio do município. Essa decisão nos causa indignação e terá consequências muito graves para o setor, que vem sofrendo abalos sequenciais desde o início da pandemia e, dessa forma, poderá não mais se recuperar. Há empresas pequenas que fecharão nesta segunda-feira para não mais abrir. Passamos a temer, novamente, a extinção de empresas e de postos de trabalho, agravando uma situação de crise econômica e social que já está evidente", comenta o presidente da entidade, Marcos Carbone.

A discordância está amparada em dados que evidenciam que Bento Gonçalves se preparou para o cenário da pandemia: investiu na ampliação de leitos para internação e na compra de respiradores para atender aos pacientes.

"O comércio, por sua vez, entendeu e apoiou a necessidade prioritária de se zelar pela vida e saúde das pessoas, protagonizando um visível movimento de conscientização, cumprindo desde o início as orientações recomendadas pelos órgãos de saúde. Vimos o esforço e o compromisso dos lojistas, praticamente na totalidade dos casos, com o retorno às atividades de forma responsável. Agora, estamos sofrendo sanções exageradas e generalizadas, que não condizem com a realidade e terão, como único efeito, a instalação de uma crise de grandes proporções no setor", pontua.

A CDL-BG luta agora para reverter a determinação estadual, e diz que “não aceitará passivamente a decisão e empenhará todos os esforços na solução dessa questão", garante Carbone.