Caxias do Sul 28/09/2021

O repórter fotográfico em foco

Data em setembro celebra a importância da atividade do profissional das imagens
Produzido por Manoel Nascimento, 03/09/2021 às 09:39:33
Foto: ARQUIVO PESSOAL

Com o transcurso do Dia do Repórter Fotográfico, celebrado em 2 de setembro, se faz pertinente tecer algumas considerações sobre essa importante atividade profissional.

Em 1839, na França, a fotografia, depois dos avanços técnicos, óticos e químicos, surge pelas mãos de Louis Daguerre. Ela vem com a ideia de que é a cópia do real.

Aquilo que está na fotografia é o espelho do real. Essa ideia ainda é amplamente divulgada e um dos responsáveis por isso é o fotojornalista ou repórter-fotográfico, profissional da imagem nas redações dos jornais.

O Brasil sempre foi emergente na área de fotografia e, desde o seu surgimento na França, ela chega muito rápido no país, por meio das mãos do Abade Louis Compte, que desembarca com o aparelho no Rio de Janeiro em janeiro de 1840. Ao ver o daguerreótipo e sua façanha de, em poucos minutos, retratar o real, tempos depois o imperador D. Pedro II arremata o aparelho, tornando-se, assim, o primeiro fotógrafo do Brasil Imperial.

D. Pedro II se notabilizou mais como mecenas da fotografia do que como fotógrafo e, com isso, fez surgirem grandes nomes da fotografia no Brasil no período oitocentista.

No início, a fotografia reproduzia o que a pintura retratava, ou seja, as vistas (paisagens) e retratos. Com o passar dos tempos, ela vai se alterando e passa a retratar o cotidiano.

No início de 1900, durante a imigração italiana, surgem dois nomes na fotografia paulistana. Um é Guilherme Gaensly e o outro é Vincenzo Pastore (saiba mais em “A Construção do Nacional: de Debret às Fotografia” de Gaensly e Pastore). Gaensly irá retratar uma cidade moderna e progressista e Vincenzo Pastore irá registrar os modos de vida do paulistano e do imigrante italiano. Esse modo de retratar de Vincenzo Pastore é a raiz do fotojornalismo brasileiro e, principalmente, paulista.

O fotojornalismo se tornou uma linguagem, um estilo de fotografia, e se caracteriza pela indiferença do sujeito fotografado, pelo uso dos efeitos do diafragma e obturador. A indiferença se deve, em grande medida, quando o fotojornalista se torna invisível ou com uso de teleobjetivas, ou quando ele entra no assunto fotografado, estuda-o, e passa despercebido.

No fotojornalismo não há o uso de luzes artificiais como na fotografia publicitária. Há somente o flash embutido e, com ele, o fotojornalista faz as melhores imagens publicadas nos jornais, revistas e sites de notícias.

Atualmente, a linguagem do fotojornalismo, que surgiu em decorrência da quase ausência total de luz e a urgência de se fotografar, no qual a maioria das cenas não se repete, é amplamente utilizada nos ensaios fotográficos, seja de modelos ou mesmo casamentos.

Para se utilizar a linguagem do fotojornalismo é necessário seguir algumas dicas:

yesPesquisar antes de se dirigir ao local

yesEstar preparado para algo novo e inusitado

yesUso excessivo da luz ambiente

yesUso dos recursos da câmera fotográfica como o diafragma com a pequena ou grande profundidade de campo, obturador com a imagem congelada ou borrada e com o ISO (sensibilidade à luz) a granulação (grão fino ou grosso)

yesPassar despercebido ou invisível

Além das dicas acima, é importante sempre se manter atualizado na área de fotografia, muita leitura e informação variada, já que o fotojornalista também é um jornalista.

Manoel Nascimento é fotojornalista e professor de fotojornalismo do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).