Caxias do Sul 29/06/2022

Comércio exterior: expectativas para 2022

Desempenho econômico global precisa ser monitorado para detectar as tendências do setor
Produzido por Zilda Mendes, 27/12/2021 às 16:41:50
Foto: ARQUIVO PESSOAL

Diversos fatores são considerados para avaliar o desempenho econômico de um país e as expectativas para o próximo ano. Entre esses fatores, estão a inflação, a taxa de juros, os investimentos estrangeiros no país e até mesmo questões internas como uma crise hídrica, possível racionamento de energia e as instabilidades político-institucionais.

No que diz respeito ao comércio exterior, acrescenta-se o desempenho econômico global. Se comparado com os últimos anos, que tiveram estímulos monetários estatais e o retorno das atividades paralisadas por conta da pandemia, espera-se que haja uma desaceleração da economia global.

A expectativa para 2022 é de que os preços das commodities e as taxas de câmbio tendem a se estabilizar, o que impacta diretamente nas exportações brasileiras. Parte das projeções indica queda nas exportações de algumas commodities, como o minério de ferro.

Quando se fala de commodity agrícola, a expectativa é de safra recorde de soja e de forte demanda, aumentando as exportações. Recentemente, foi anunciado que a China retoma as importações de proteína animal do Brasil e acena que continuará sendo o principal comprador desse produto brasileiro, o que é uma excelente notícia.

Mas não se deve ignorar a crise logística na cadeia internacional de suprimentos, que certamente continuará dificultando o comércio internacional por mais um tempo. Sobre esse aspecto, Marco Antonio da Silva, CEO do Grupo Comex Online e da Marco Silva Educacional, destaca um cenário promissor na infraestrutura do comércio exterior brasileiro, pois são previstos investimentos a partir do projeto BR do Mar, o programa de estímulo do transporte de cabotagem no Brasil. Menciona, ainda, os investimentos a favor do SB 10, o superterminal de contêineres do Porto de Santos e o aval do governo brasileiro para a construção de ferrovias privadas.

Há previsões de que o país continue apresentando recessão técnica e de que os reflexos desta poderão atingir o comércio exterior brasileiro. No entanto, com os investimentos em infraestrutura, a modernização e desburocratização dos procedimentos e rotinas para exportar e importar, além dos relacionamentos internacionais e eventos promocionais, que certamente se intensificarão, podemos ver uma luz no fim do túnel.

Zilda Mendes é professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, atua nas áreas de comércio exterior e câmbio